Explosão de custos com IA fazem big techs reverem políticas de uso

Microsoft, Uber e Amazon exigiram que funcionários usassem IA em suas atividades, mas viram despesas aumentarem além do esperado

Custos com IA – A adoção de inteligência artificial no ambiente corporativo, antes vista como um caminho para reduzir despesas operacionais e otimizar equipes, passou a gerar preocupação entre grandes empresas de tecnologia. Gigantes como Microsoft e Uber começaram a limitar o uso interno de assistentes automatizados após perceberem que os custos com processamento dispararam.

O principal motivo está no consumo de tokens, unidade usada para medir o volume de texto processado pelos modelos de IA. Quanto maior o uso das ferramentas pelos funcionários, maior é a cobrança feita às empresas. Segundo o site de finanças Livemint, o impacto é ainda mais significativo em áreas técnicas, como engenharia, design e gerenciamento de produtos, onde tarefas relacionadas a código e automação demandam maior capacidade computacional.

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No funcionamento dos modelos de linguagem, os tokens representam fragmentos de texto, que podem incluir palavras completas, partes delas ou até símbolos. Eles são contabilizados tanto nos comandos enviados pelos usuários quanto nas respostas geradas pela IA.

Na prática, atividades consideradas simples podem consumir grandes volumes de tokens quando envolvem arquivos extensos, históricos de conversas, códigos ou múltiplas etapas de análise. Em equipes de engenharia, o consumo cresce porque os sistemas precisam interpretar repositórios, logs, mensagens internas, documentações e trechos de programação.

A Microsoft entrou recentemente no centro das discussões ao decidir cancelar licenças do Claude Code, ferramenta desenvolvida pela Anthropic. A empresa pretende direcionar seus times de engenharia para o GitHub Copilot CLI, solução integrada ao próprio ecossistema da companhia. Os funcionários terão até o fim de junho para concluir a migração.

De acordo com o The Verge, os empregados utilizavam a ferramenta da Anthropic havia cerca de seis meses, período em que ela foi amplamente incentivada pela própria Microsoft. Muitos profissionais, inclusive, demonstravam preferência pela plataforma externa em relação às alternativas internas.

Na Uber, o cenário também chamou atenção. O CTO Praveen Neppalli Naga afirmou que o orçamento destinado às ferramentas de IA para 2026 foi consumido em apenas quatro meses. A companhia havia criado rankings internos para destacar as equipes que mais utilizavam assistentes automatizados.

Esse comportamento passou a ser chamado de “tokenmaxxing”. Na Amazon, relatos indicam que funcionários estariam automatizando o máximo possível de tarefas para elevar os indicadores de uso de tokens e cumprir metas semanais. Segundo os trabalhadores, existe “muita pressão” para utilizar as ferramentas de IA.

Mesmo diante das preocupações com custos, executivos do setor seguem defendendo os investimentos. Jensen Huang, CEO da Nvidia, minimizou os gastos elevados e declarou que “todo engenheiro que tem acesso a tokens será mais produtivo”.

A tendência, segundo o Livemint, é que os custos aumentem ainda mais com a chegada das chamadas IAs agênticas. Diferentemente dos chatbots tradicionais, esses sistemas conseguem executar tarefas em várias etapas, consultando dados, analisando resultados, tomando decisões intermediárias e seguindo até a conclusão da atividade, um processo que exige maior capacidade de processamento.

As projeções indicam que o uso corporativo de inteligência artificial poderá multiplicar o consumo global de tokens por 24 até 2030, alcançando 120 quatrilhões de tokens por mês. Apesar disso, a consultoria Gartner estima que o custo de sistemas com 1 trilhão de parâmetros deve cair cerca de 90% no mesmo período.

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(Com informações de Tecnoblog)

(Foto: Reprodução/Magnific/Frolopiaton Palm)

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