Supercomputadores – A computação quântica é frequentemente apontada como o próximo grande salto tecnológico, capaz de resolver problemas inalcançáveis para computadores tradicionais. No entanto, a instabilidade dos sistemas sempre foi um entrave. Agora, cientistas na Suíça anunciam um avanço relevante ao conseguir reduzir o impacto do chamado “ruído quântico”, um dos principais desafios da área.
Empresas como Microsoft e Google já investem fortemente nesse campo, com iniciativas como o chip Majorana 1 e o processador Willow, que demonstraram progressos importantes. Ainda assim, a estabilidade continua sendo o principal obstáculo para o desenvolvimento de computadores quânticos plenamente funcionais.
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No centro desse desafio estão os cúbits, unidades básicas da computação quântica. Diferentemente dos bits tradicionais, eles operam em estados delicados, como superposição e entrelaçamento. Essa característica os torna extremamente sensíveis a interferências externas, como calor e vibração, o que pode levar à decoerência, fenômeno que destrói a informação e gera erros nos cálculos.
Esse cenário está diretamente relacionado ao chamado ruído quântico, que compromete a precisão das operações realizadas por esses sistemas. Na prática, isso limita a capacidade dos computadores quânticos de executar tarefas complexas de forma confiável, mantendo a tecnologia restrita, em grande parte, ao ambiente experimental.
O novo avanço foi alcançado por um grupo da ETH Zurich, liderado por Tilman Esslinger, especialista em eletrônica quântica. A equipe conseguiu executar uma operação conhecida como “porta de troca quântica” com altíssima precisão, utilizando um conceito chamado fase geométrica.
Diferente das abordagens convencionais, essa técnica se baseia no caminho percorrido pelas partículas, e não em interações externas. Isso torna o sistema mais resistente ao ruído e menos dependente de condições extremamente controladas.
Para isso, os cientistas utilizaram átomos de potássio ultrafrios confinados em redes ópticas, estruturas descritas como uma espécie de “cristal de luz” formado por lasers. Ao manipular esses átomos com precisão, eles conseguiram aproximar pares de partículas até que suas funções de onda se sobrepusessem.
Como esses átomos são férmions, o processo gera naturalmente uma fase geométrica, permitindo um controle mais estável do estado quântico. O resultado foi um nível de precisão de 99,91% nas operações entre cúbits, realizadas em menos de um milissegundo.
Segundo os pesquisadores, o método apresenta menor sensibilidade a variações externas, como mudanças na intensidade do laser ou na velocidade de manipulação, representando um avanço significativo em relação às técnicas anteriores.
As chamadas portas de troca são fundamentais para o funcionamento de computadores quânticos, pois permitem transferir e organizar informações dentro do sistema. A melhoria na confiabilidade dessas operações é considerada um passo essencial para o desenvolvimento de máquinas maiores e mais complexas.
Apesar dos resultados promissores, os cientistas reconhecem que ainda há desafios a superar. De acordo com Tilman Esslinger, será necessário integrar essa tecnologia a outros sistemas, como microscópios de gás quântico, capazes de visualizar e manipular cúbits individualmente.
Mesmo assim, o avanço marca um progresso importante em uma das áreas mais complexas da ciência contemporânea. Se técnicas como essa continuarem evoluindo, a computação quântica pode deixar de ser uma promessa distante e se tornar uma ferramenta prática, com impactos em setores como inteligência artificial, medicina e criptografia.
O futuro dos supercomputadores, ao que tudo indica, dependerá da capacidade de controlar o mundo quântico com precisão cada vez maior.
(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific/ DC Studio)












