Falha em navegadores mantém JavaScript rodando mesmo após fechamento

Descoberta feita por pesquisadora mostra que falha dada como corrigida ainda permite execução silenciosa de scripts em segundo plano

Falha em navegadores – Pesquisadores da área de segurança digital chamaram atenção nesta semana para uma vulnerabilidade relevante no Chromium que permite a continuidade da execução de scripts JavaScript mesmo depois que o navegador é fechado. O problema afeta plataformas como Google Chrome, Microsoft Edge, Brave e outros navegadores construídos sobre a mesma base tecnológica.

A falha foi identificada pela pesquisadora Lyra Rebane em 2022, porém detalhes técnicos do caso acabaram sendo divulgados antes da disponibilização de uma correção definitiva.

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Service Workers são usados para manter scripts em execução

A vulnerabilidade está relacionada ao recurso conhecido como Service Worker. A tecnologia é amplamente utilizada em sites modernos para funções executadas em segundo plano, incluindo notificações, sincronização de informações e suporte offline.

Segundo os pesquisadores, o problema permite que páginas maliciosas abusem desse mecanismo para manter scripts ativos mesmo após o encerramento do navegador pelo usuário.

Na prática, bastaria acessar um site comprometido para que o navegador passasse a atuar como um cliente conectado à infraestrutura controlada pelos invasores. Rebane explicou que o processo poderia permanecer ativo silenciosamente, sem necessidade de qualquer nova interação da vítima.

Ataque não compromete totalmente o computador

Embora a vulnerabilidade não permita controle direto sobre o sistema operacional nem acesso automático a arquivos pessoais, ela possibilita a execução remota de JavaScript dentro do ambiente do navegador.

Isso abre margem para diferentes tipos de abuso, como participação em botnets, geração de tráfego malicioso e ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS).

A pesquisadora afirmou que milhares de navegadores comprometidos poderiam ser utilizados para disparar grandes volumes de requisições simultâneas contra servidores e serviços online. Além disso, o navegador infectado poderia servir como intermediário para esconder atividades maliciosas e dificultar a identificação da origem real dos ataques.

Google marcou vulnerabilidade como resolvida antes da correção final

O caso ganhou repercussão adicional porque o problema já havia sido classificado internamente como corrigido pela equipe responsável pelo Chromium.

Em fevereiro deste ano, o relatório recebeu o status de “fixed” no sistema do projeto. Rebane chegou a receber uma recompensa de mil dólares por meio do programa de bugs do Google.

A situação se complicou quando as restrições de acesso ao relatório técnico foram removidas automaticamente. Como o sistema entendia que a falha estava solucionada havia mais de 14 semanas, os detalhes internos da vulnerabilidade acabaram ficando temporariamente acessíveis ao público.

Exploit ainda funcionava em versões recentes

Após a divulgação parcial das informações, Rebane decidiu testar novamente o exploit em versões atualizadas do Chrome e do Edge. Os testes mostraram que a vulnerabilidade seguia funcionando normalmente.

De acordo com a pesquisadora, o comportamento do exploit se tornou ainda mais discreto nas versões recentes do Edge.

Em edições anteriores do navegador, a exploração gerava um popup de download durante a execução. Agora, segundo ela, o funcionamento ocorre de maneira totalmente silenciosa, reduzindo significativamente as chances de o usuário perceber qualquer atividade suspeita.

Navegadores baseados em Chromium também podem ser impactados

O problema não se restringe ao Chrome e ao Edge. Outros navegadores que utilizam Chromium como base — incluindo Opera, Vivaldi e Arc — também podem ser afetados pela vulnerabilidade.

Especialistas ressaltam que o bug não rompe completamente as barreiras de sandbox do navegador, o que impede que o invasor obtenha controle total da máquina da vítima. Ainda assim, a capacidade de manter JavaScript ativo de forma persistente é considerada um cenário incomum e potencialmente perigoso para operações maliciosas em larga escala.

Correção emergencial é aguardada

Após a exposição pública do caso, a expectativa é que o Google trate a vulnerabilidade com prioridade máxima.

Como os detalhes técnicos permaneceram acessíveis por tempo suficiente para análise, especialistas demonstram preocupação com a possibilidade de que outros grupos tentem reproduzir o exploit antes que uma atualização definitiva seja distribuída.

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(Com informações de TecMundo)
(Foto: Reprodução/Magnific/pvproductions)

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