Contrabando – A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo com contornos criminais e cifras bilionárias. Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA acusam Yih-Shyan Liaw, cofundador e vice-presidente da Super Micro Computer, de liderar um esquema sofisticado para enviar ilegalmente servidores equipados com chips avançados de inteligência artificial para o território chinês.
Segundo a acusação, o plano envolvia uma logística complexa desenhada especificamente para contornar as restrições de exportação impostas por Washington por motivos de segurança nacional. Além de Liaw, outros dois indivíduos com operações na Ásia estariam envolvidos na operação.
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O grupo teria utilizado uma combinação de documentos falsos, empresas intermediárias e rotas indiretas para camuflar o destino final dos equipamentos. Os servidores, que continham tecnologia sensível, eram inicialmente enviados para países do Sudeste Asiático, onde eram reembalados e redirecionados para a China sem a identificação adequada.
Para enganar as inspeções alfandegárias, os acusados teriam chegado ao extremo de utilizar “servidores falsos” como distração, além de manipular etiquetas e números de série com ferramentas improvisadas. O volume da operação impressiona os investigadores: os promotores afirmam que cerca de US$ 2,5 bilhões em hardware foram movimentados entre 2024 e 2025. Em um intervalo de apenas poucas semanas, mais de US$ 500 milhões em equipamentos teriam sido ilegalmente despachados.
Esses servidores continham chips de última geração, muitos deles fabricados pela NVIDIA, que são considerados estratégicos para o desenvolvimento de capacidades militares e de infraestrutura de IA.
O episódio ocorre em um momento de tensão máxima, em que o governo americano mantém controles rígidos sobre a exportação de hardware avançado, temendo seu uso estratégico por Pequim. Embora existam algumas flexibilizações recentes que permitem a venda de versões menos potentes sob licença, a vigilância permanece alta.
Agora, os envolvidos enfrentam acusações graves de conspiração para violar leis de exportação, contrabando e fraude contra o governo dos Estados Unidos, podendo enfrentar penas de até 30 anos de prisão se forem condenados.
Em resposta ao escândalo, a Super Micro Computer afirmou que afastou os executivos envolvidos e encerrou relações com um dos acusados, além de colaborar com as investigações. Já a NVIDIA reforçou que não oferece suporte a sistemas desviados ilegalmente e que mantém programas rigorosos de conformidade.
(Com informações de Gizmodo UOL)
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