Bancos projetam R$ 50 bilhões em tecnologia em 2026 e aceleram adoção de IA

Pesquisa aponta avanço dos recursos em inteligência artificial, computação em nuvem, cibersegurança e capacitação profissional

R$ 50 bilhões em tecnologia – O setor bancário brasileiro deve ampliar os investimentos em tecnologia ao longo de 2026, com foco em inteligência artificial, dados, computação em nuvem e segurança digital. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, apresentada durante o Febraban Tech 2026, os bancos preveem destinar R$ 50 bilhões à área neste ano. O levantamento é realizado pela consultoria Deloitte e teve sua primeira etapa divulgada em junho.

Do total previsto, cerca de R$ 3 bilhões serão destinados à Inteligência Artificial, Analytics e Big Data, um crescimento de 8% em relação a 2025. Os recursos devem contribuir para tornar operações mais eficientes, ampliar o uso de dados, diminuir o tempo de resposta aos clientes e melhorar o atendimento e a prevenção de fraudes.

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A velocidade na realização de tarefas rotineiras é apontada por 92% dos bancos como o principal benefício proporcionado pela IA. Outros 52% destacam a redução do tempo de resposta, dos custos e a maior eficiência na análise de dados. Já 48% das instituições identificam ganhos relacionados à detecção de fraudes.

Entre as aplicações de agentes inteligentes de IA, a automação de processos internos aparece em primeiro lugar, adotada por 76% dos bancos. Em seguida, estão o atendimento por chatbots e voicebots e a geração de relatórios, ambos com 71%. Conteúdos de marketing e suporte às equipes por meio de assistentes virtuais aparecem com 53% cada.

Para Sergio Biagini, sócio líder de Banking & Capital Markets da Deloitte, a transformação tecnológica do setor passa pela integração de diferentes ferramentas. “Os resultados da pesquisa mostram que o setor bancário brasileiro entra em uma nova fase da transformação digital, marcada pela convergência entre Data & AI, GenAI, Cloud e Cyber”, explica.

Segundo Biagini, os investimentos contribuem para aumentar a eficiência das operações e fortalecer a capacidade de resposta das instituições. “O desafio agora não é apenas adotar novas tecnologias, mas integrá-las à estratégia de negócios para acelerar a captura de valor, ampliar a capacidade de inovação e viabilizar novos modelos de crescimento sustentável”, afirma.

Expansão da computação em nuvem

A computação em nuvem também concentra uma parcela significativa dos investimentos. A previsão é de que os investimentos em migração para a nuvem alcancem R$ 3,9 bilhões em 2026, alta de 30% em comparação com o ano anterior. O levantamento aponta ainda que 84% das instituições já utilizam IA e GenAI em suas infraestruturas de tecnologia da informação.

A capacitação profissional acompanha esse movimento. Os bancos devem investir R$ 29,4 milhões em treinamento e qualificação de profissionais em IA e GenAI neste ano, um aumento de 31%. Atualmente, 70% das instituições possuem estratégias de requalificação profissional.

Em 2025, os bancos investiram R$ 100,4 milhões em treinamentos de tecnologia para seus funcionários, sendo R$ 61,9 milhões destinados às equipes de TI. Ao todo, 226,1 mil profissionais foram treinados.

A procura por trabalhadores especializados também permanece em alta. Entre os bancos consultados, 42% pretendem aumentar suas equipes de TI, com uma expansão média de 22%.

“Os investimentos dos bancos em IA, Analytics, Big Data e Cloud demonstram o compromisso do setor com inovação, eficiência e segurança. Essas tecnologias aceleram a transformação digital e ampliam o uso inteligente dos dados. Mas o diferencial está nas pessoas: capacitar profissionais é essencial para aplicar essas ferramentas com responsabilidade e gerar valor real para clientes e instituições”, afirma Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela pesquisa.

Cibersegurança ganha espaço

A proteção digital aparece como outra prioridade das instituições. Atualmente, 58% dos bancos contam com pelo menos um especialista em cibersegurança no conselho de administração. Além disso, 88% possuem integração entre as áreas de cibersegurança, prevenção a fraudes e prevenção à lavagem de dinheiro (PLD).

Essa atuação conjunta ocorre principalmente na resposta a incidentes, apontada por 40% das instituições, e no compartilhamento direto de informações, citado por 36%.

Entre as ferramentas utilizadas para proteger os clientes, a autenticação multifator (MFA) é adotada por 88% dos bancos. Também aparecem o monitoramento preditivo de transações, com 76%, a biometria comportamental, com 60%, e a aplicação de IA e Machine Learning na identificação de fraudes, com 56%.

A computação quântica também começa a integrar os planos de segurança do setor. De acordo com a pesquisa, 71% dos bancos consideram a tecnologia relevante no curto ou médio prazo, principalmente em temas relacionados à criptografia e à segurança pós-quântica.

Para Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban, a proteção digital está diretamente ligada à estratégia tecnológica das instituições. “A presença de especialistas no conselho de administração, a atuação conjunta entre áreas críticas e o uso de tecnologias como autenticação multifator, biometria comportamental, inteligência artificial e monitoramento preditivo mostram que o setor está preparado para responder a ameaças cada vez mais sofisticadas e para fortalecer a confiança no ambiente digital”, afirma.

Open Finance e novos serviços

O Open Finance também aparece entre as tecnologias associadas à criação de novos modelos de negócios. Para 92% dos bancos, o sistema representa uma oportunidade de acesso a dados financeiros. Além disso, 85% das instituições utilizam a ferramenta para aprimorar campanhas direcionadas e 69% para aumentar a competitividade das ofertas.

A pesquisa mostra ainda que 33% dos bancos disponibilizam recursos de gestão ou agregação financeira. O serviço registrou crescimento de 31% no número de usuários em 2025, chegando a 2,15 milhões de clientes.

Outro avanço apontado pelo levantamento está nos canais digitais de seguros. Atualmente, 91% dos bancos oferecem pelo menos uma opção de cotação digital, contra 71% no ano anterior.

Os marketplaces integrados também ganharam espaço. Em 2025, essas plataformas atraíram 24 milhões de clientes e registraram volume médio de vendas efetivadas próximo de R$ 20 milhões.

Os dados da pesquisa indicam, assim, que a transformação tecnológica dos bancos ocorre de maneira integrada, reunindo investimentos em inteligência artificial, nuvem, segurança, dados e qualificação de profissionais.

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(Com informações de Convergência Digital)
(Foto: Reprodução/Magnific)

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