Alunos de MT criam óculos com IA para ajudar pessoas com deficiência visual

Protótipo desenvolvido por quatro alunos do IFMT combina câmera, visão computacional e áudio para auxiliar na leitura, identificação de objetos e reconhecimento de obstáculos
Projeto de alunos de MT usa inteligência artificial para ampliar autonomia de pessoas cegas. (Foto: Reprodução/Magnific/Art of Innovation)

Óculos com IA – Uma tecnologia que pretende transformar imagens em orientações por áudio colocou quatro estudantes de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, entre os destaques da 13ª edição brasileira do Solve for Tomorrow. O grupo do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) desenvolve óculos com inteligência artificial voltados a pessoas com deficiência visual.

O dispositivo foi pensado para auxiliar em situações do cotidiano, como identificar objetos, reconhecer obstáculos e fazer a leitura de palavras e textos. Para isso, o projeto combina uma câmera, um minicomputador com recursos de conectividade, alto-falante e fones de ouvido.

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A equipe, formada por alunos do 2º ano do ensino médio, está entre as 30 semifinalistas da edição de 2026 do programa de Cidadania Corporativa da Samsung, que tem coordenação geral do Cenpec no Brasil. O Solve for Tomorrow estimula estudantes e professores da rede pública a desenvolverem soluções para problemas concretos utilizando conhecimentos de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

Tecnologia nasceu de uma necessidade próxima

A ideia começou a tomar forma a partir da experiência de Bruna Stoinski. Uma pessoa com baixa visão faz parte de sua família, o que permitiu que a estudante acompanhasse de perto algumas das dificuldades enfrentadas por esse público.

O contato com outras pessoas com deficiência visual reforçou a intenção de buscar uma alternativa tecnológica que pudesse contribuir para ampliar a autonomia dos usuários.

Em vez de criar uma tecnologia completamente nova, os estudantes decidiram investigar ferramentas que já existem e pensar em como adaptá-las para uma finalidade específica. O sistema desenvolvido pelo grupo utiliza recursos de visão computacional para interpretar as imagens captadas pela câmera.

A expectativa é que essas informações sejam convertidas em comandos de áudio. Assim, o usuário poderá receber orientações sem depender de uma tela para visualizar o conteúdo.

“Nós pesquisamos outros óculos e percebemos que alguns recursos eram voltados para descrever ambientes ou materiais, mas não eram específicos para pessoas com deficiência visual. Estamos juntando tecnologias que já existem e aprimorando todas elas em uma única solução”, conta Junior Eduardo, integrante do grupo.

Usuários participam da criação

Uma das preocupações da equipe é evitar que o equipamento seja desenvolvido sem a participação das pessoas que deverão utilizá-lo. Por isso, os estudantes prepararam um formulário destinado a pessoas com deficiência visual para descobrir quais são suas características e quais recursos gostariam de encontrar em uma tecnologia desse tipo.

O grupo também pretende conversar com escolas e profissionais que trabalham com esse público. Depois da construção do primeiro protótipo, a intenção é realizar testes e utilizar as respostas recebidas para aperfeiçoar o projeto.

“Quando tivermos o primeiro protótipo, nossa ideia é conversar com essas pessoas e usar os feedbacks e as ideias delas para desenvolver melhorias nos óculos. Nosso alicerce para produzir esse projeto se resume a ‘nada é sobre nós sem nós’: não podemos fazer esses óculos sem que as pessoas que precisam deles estejam incluídas nesse processo”, afirma Bruna.

Para Helvio Kanamaru, Diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, a participação das pessoas diretamente afetadas pela solução é um elemento importante do processo de inovação.

“Ao transformar uma experiência pessoal em uma oportunidade de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, os alunos demonstram que a ciência também pode ser uma ferramenta para ampliar a autonomia e a inclusão. O Solve for Tomorrow busca justamente estimular esse olhar atento para os desafios da sociedade e o protagonismo dos jovens na criação de respostas para essas questões”, afirma.

A diretora-executiva do Cenpec, Beatriz Cortese, destaca que o trabalho envolve não apenas aprendizado tecnológico, mas também a investigação de um problema de acessibilidade.

“É muito significativo ver estudantes da escola pública transformando uma experiência concreta em uma oportunidade de pesquisa, aprendizagem e criação. No desenvolvimento dos óculos, eles não estão apenas aprendendo sobre inteligência artificial e visão computacional: estão investigando uma questão de acessibilidade, buscando ouvir as pessoas diretamente envolvidas e pensando em como incorporar essas perspectivas ao projeto. É esse protagonismo, articulado ao conhecimento e à mediação dos educadores, que dá sentido à inovação na educação”, afirma.

Da pesquisa ao protótipo

O desenvolvimento dos óculos também mudou a relação dos estudantes com a pesquisa e com a experimentação. De acordo com o professor e orientador Vigner Vieira dos Santos, o trabalho tem contribuído para desenvolver nos alunos criatividade, organização, responsabilidade, disciplina e capacidade de cumprir prazos.

A construção física do equipamento inclui processos de modelagem e impressão 3D, aproximando os estudantes da aplicação prática dos conhecimentos utilizados no projeto.

A experiência também colocou os alunos em contato com outras equipes e propostas apresentadas pelo programa. Para Ester Carla Sobral, isso ampliou as possibilidades de pensar sobre problemas que muitas vezes passam despercebidos.

“Vivenciamos muitas situações no dia a dia que não recebem a devida atenção. O Solve traz essa possibilidade de pensar em como resolver esses problemas. Também temos visto outros projetos do programa que são incríveis e muito interessantes de acompanhar”, conta.

Para Vigner, a própria experiência como orientador também trouxe novos aprendizados sobre acessibilidade.

“Tenho aprendido muito com eles e com essa iniciativa. É um projeto que nos faz pensar nas pessoas ao nosso redor. Espero que possamos contribuir com essa acessibilidade e que esses estudantes possam se tornar uma referência”, conclui.

Programa reúne projetos de escolas públicas

O Solve for Tomorrow Brasil é uma iniciativa global de Cidadania Corporativa da Samsung que incentiva estudantes do Ensino Médio da rede pública a desenvolver soluções para desafios encontrados na sociedade.

O programa utiliza a abordagem STEM e a Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL), com foco em protagonismo, criatividade e trabalho coletivo. Durante a jornada, os participantes também contam com mentorias e capacitação de especialistas.

Em 2026, o número de projetos inscritos cresceu 7,7% em relação a 2025. A edição também registrou aumento de 11% na participação feminina, considerando estudantes mulheres, e de 3% na quantidade de escolas quilombolas e instituições situadas em áreas rurais.

Segundo os dados do programa, o Solve for Tomorrow já alcançou mais de 442 mil alunos e professores de escolas públicas em 21 países da América Latina. No Brasil, a iniciativa é coordenada pelo Cenpec e conta com parceiros institucionais voltados ao fortalecimento da educação pública e da inovação.

A próxima etapa da edição brasileira prevê o anúncio dos 10 finalistas em 16 de outubro. As equipes escolhidas terão mentoria entre 19 de outubro e 27 de novembro. A votação pelo Júri Popular começa em 23 de novembro, e os vencedores por categoria serão anunciados em 8 de dezembro.

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(Com informações de Samsung News)
(Foto: Reprodução/Magnific/Art of Innovation)

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