Mato Grosso é um dos Estados que reúne um grande número de pintores naifs. Adão Domiciano, Sitó, Linalva, Marlene Kirchesch e Nilson Pimenta são alguns dos representantes dessa arte e estão reunidos em uma mostra na Secretaria Municipal de Cultura.
Cerca de 25 obras dos artistas citados acima estão a disposição do público que pode visitar a mostra até o dia 17 de fevereiro, em horário comercial. A entrada é gratuita e a Secretaria está localizada na rua Barão de Melgaço, nº 447, no antigo Clube Feminino.
Grande aquarelista, Adão Domiciano retrata com um detalhamento rico a queimada que ainda arde após o corte da floresta. Um caminhão carregado de madeira que denuncia o desmatamento tão comum em nosso Estado. Adão fala que uma das funções da arte é atuar como elemento de educação. “Os professores deveriam estimular uma interação dos alunos com as artes plásticas”, sugere.
Nilson Pimenta coleciona várias exposições e prêmios em seu currículo. A sua composição é cheia e a ação da pintura tem objetividade garantida pela expressão das formas e colocação singular nas cenas, como se obedecessem a uma “ordem”, irreverente, mas que apresenta um resultado harmonioso. As cores são vivas, com predomínio do verde, cor da natureza. Os personagens são autênticos homens do campo e da paisagem agreste de Mato Grosso. A vestimenta é típica, os gestos e a tradição são mantidos. As temáticas geralmente recorrem a uma trilogia: mato, bicho e gente.
“Essa mostra é importante por proporcionar o encontro de grandes artistas”, afirma Moisés Martins, secretário adjunto de Cultura do município. Questionado sobre a estrutura da mostra, ele reconhece que a estrutura é precária. Precisamos desde cavalete até segurança. “A infra-estrutura da Secretaria, o próprio prédio, não tem condições, por exemplo, de abrigar uma grande exposição de fora. Essas faltas ocorrem porque o orçamento é pequeno”, explica Moisés.
O TERMO NAIF
A palavra naif é derivada do latim nativus, que significa nativo, no sentido de natural, original, inato. Com origem francesa, a expressão naif significa ingênuo. Também é conhecido como primitivista e está vinculado a arte popular nacional. Esse termo foi utilizado pela primeira vez, no segmento artístico, no final do século XIX para classificar o trabalho do pintor francês Henri Rousseau, cujos quadros trazem paisagens tropicais com formas alteradas e figuras retratadas de forma minuciosa.
Com o tempo, a palavra naif entrou para o vocabulário de críticos, marchands, colecionadores e artistas, inclusive no Brasil. Essa manifestação artística encontrou terreno fértil para retratar a diversidade cultural de nosso povo. O país, juntamente com França, a antiga Iugoslávia, o Haiti e a Itália, está entre os “cinco grandes países” nesse estilo e ganha destaque no cenário mundial.












