Buracos nas ruas, bueiros sem tampa e bocas-de-lobo entupidas, córregos que viraram esgoto a céu aberto, falta de iluminação, terrenos baldios, calçadas malcuidadas e casas sem jardim. Estes são alguns dos problemas que, somados, transformam a cidade de Cuiabá em uma paisagem não muito agradável ao olhar, seja de quem aqui mora, seja de quem visita uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.
Isso sem falar na má preservação de praças, de pontos de ônibus, canteiros de avenidas e de outros lugares públicos, como ginásios e áreas de lazer. A falta de investimento em infraestrutura por parte do poder público – bem como o desleixo de uma grande parcela da população – infelizmente é a regra pelo menos na maioria dos bairros da Capital.
Paisagista há cinco anos, Kétsia Freire acredita que a paisagem cuiabana se encontra desta forma por conta da falta de conscientização tanto do poder público quando da população em geral.
“Se cada um fizesse um pouco e tivesse noção de quanto a preservação da natureza e também de seu próprio patrimônio contribui para a preservação da cidade onde moramos, teríamos um lugar bem melhor para viver. Se cada um fizer a sua parte, teríamos um ambiente melhor, onde todo mundo seria beneficiado em longo prazo”, diz.
A paisagista afirma que as praças da Capital, por exemplo, estão “sem vida”, como ela classifica, por conta da falta de manutenção especializada. Kétsia ressalta que, para se manter uma paisagem, com flores e plantas sempre vivas, é necessário um cuidado específico, não somente poda e adubo como é feito atualmente pela prefeitura.
De acordo com ela, somente uma pintura e manutenção simples também não dão o ar de paisagem como deve ser, só dão um ar de limpeza. “Ar de limpeza não quer dizer segurança, não quer dizer que tenha ar de ‘cidade verde’ como é o slogan da cidade”, pondera.
Segundo ela, para se conservar este tipo de ambiente tem que ser feito acompanhamento e ter um cuidado com o local, como, por exemplo, não jogar lixo, regar e repor as plantas e flores mortas por outras.
Ela conta que participou de um projeto de revitalização de uma praça, localizada em um bairro da Capital, onde foi feito de tudo. No entanto, um mês depois, ao voltar ao local, encontrou tudo depredado novamente.
No centro da cidade há três exemplos visíveis de falta de manutenção adequada, que são as praças da República, Alencastro e Ipiranga, que já não têm mais grama e nem flores, e a própria placa de identificação está destruída. Nenhuma serve mais como espaço de lazer dos moradores. Todas estão muito malconservadas, e, mesmo sendo limpas diariamente por garis, exalam mau cheiro em alguns pontos.
Na Praça Ipiranga, já não encontramos nem grama nem flores, e até a placa de identificação do local está destruída. O coreto, que já foi palco de diversas apresentações artísticas, está abandonado, servindo de abrigo para pombos, moradores de rua e usuário de drogas. Além disso, os vendedores ambulantes tomam conta do local com suas barracas e os mais diversos tipos de mercadorias.
Segundo o diretor de Serviços Urbanos e Limpeza de Cuiabá, Leonardo de Oliveira, uma equipe está fazendo o levantamento de todas as praças da cidade para que sejam elaborados projetos de revitalização. Segundo ele, mais de 30 projetos já estão desenhados e o restante deve ser concluído até o final do mês, para que logo no início de fevereiro sejam apresentados ao prefeito e definidas questões como investimentos, parcerias e prioridade.












