Uma solução para o impasse sobre a elevação do teto da dívida dos Estados Unidos e um plano de ajuste econômico é de interesse mundial. Como o país é um grande comprador e estimula a cadeia produtiva global, os demais países torcem pela recuperação da economia americana. No Brasil, o cenário incerto reflete em oscilações na Bolsa de Valores, tendência de desvalorização do dólar frente ao real, e nos casos de grande desaceleração, queda nas exportações e consequente desemprego nas empresas que dependem das vendas internacionais.
O problema é que os EUA gastaram mais do que podem pagar e a legislação do país estabelece um teto de endividamento de US$ 14,29 trilhões — valor que foi atingido recentemente. Como no dia 2 de agosto há vencimento de dívidas, as autoridades americanas precisam fechar um acordo até 22 de julho.

Ontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse estar “pronto para agir” para elevar o teto da dívida. “O tempo está se esgotando” (Foto: SHAWN THEW/EFE)
 

O acerto precisa ser definido pelo congresso daquele país e a discussão sobre como ele deve ser feito envolve republicanos e democratas. A professora de macroeconomia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Cristina Helena Pinto de Mello, explica que os EUA têm só dois partidos, o que torna a discussão mais polarizada e de difícil negociação. Basicamente, os democratas defendem aumento de impostos e os republicanos, corte de gastos.
 
Barack Obama

Ontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse estar “pronto para agir” para elevar o teto da dívida. Ele pediu que o Congresso apresentasse em cerca de um dia um plano para realizá-lo. “O tempo está se esgotando.”
 
Dificilmente um acordo deixará de ser aprovado. Mas caso isso ocorra, os americanos teriam que suspender alguns pagamentos (como seguro-desemprego e seguro-saúde), demitir funcionários ou até mesmo deixar de pagar títulos da dívida. Esse último ponto é de grande preocupação porque muitos países — inclusive o Brasil — são detentores de títulos americanos. “Um eventual calote faria com que esses títulos perdessem valor”, destaca Fabio Kanczuk, professor da FEA/USP.
 
E a Standard & Poor’s (S&P), uma das três mais importantes agências de classificação de risco do mundo, já informou que os Estados Unidos precisam impedir o crescimento da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) para evitar um rebaixamento em seu rating de crédito.
 
Por aqui, o professor do Ibmec Marcio Sette Fortes acredita que o dólar deve continuar desvalorizado e o produtor terá que se adequar para enfrentar um câmbio desfavorável à exportação. O lado positivo para o consumidor é itens importados mais baratos e viagens internacionais mais acessíveis. “Não podemos ser tão otimistas porque uma recessão nos EUA não é boa para ninguém”, diz Mello.
 
Para Kanczuk, o ajuste americano é inevitável e como o país tende a andar mais devagar, o Brasil também deve seguir esse caminho e o real tende a desvalorizar, isso a médio prazo.
 
Com a discussão ampliada para a Europa, os especialistas acreditam que as dívidas de nações menores serão cobertas pelo restante do bloco europeu e não representariam grandes implicações para os países emergentes. O problema se agrava se a crise atingir países maiores, como a Itália, o que dificultaria a ajuda.
“Em caso de agravamento da crise, o euro vai perdendo confiabilidade e o dólar tende a ganhar força diante dele”, diz Fortes.

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