Uso de IA – O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa no ambiente corporativo pode estar associado ao aumento da sobrecarga e do risco de burnout entre trabalhadores. É o que indicam resultados preliminares de um estudo conduzido pelas pesquisadoras Aruna Ranganathan e Xingqi Maggie Ye, da Escola de Negócios Haas, da Universidade da Califórnia em Berkeley.
A pesquisa acompanha, desde abril de 2025, cerca de 200 funcionários de uma empresa de tecnologia nos Estados Unidos. Os primeiros achados foram divulgados na segunda-feira (9), na Harvard Business Review.
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Segundo o levantamento, mesmo sem imposição da empresa ou definição de novas metas, os profissionais passaram a adotar a IA por iniciativa própria. A mudança alterou a dinâmica do trabalho e intensificou a rotina de três formas principais.
Expansão de tarefas
Com a possibilidade de executar atividades a partir de simples comandos escritos, funcionários começaram a assumir funções que antes eram atribuídas a outros cargos. Gerentes de projeto passaram a escrever código, pesquisadores executaram tarefas típicas de engenharia e profissionais de diferentes áreas passaram a realizar atividades que antes seriam delegadas, terceirizadas ou adiadas.
A prática, porém, trouxe efeitos colaterais. Engenheiros relataram a necessidade de revisar e corrigir materiais produzidos por colegas de outras áreas com auxílio de IA. Em alguns casos, precisaram até orientar sobre a melhor forma de utilizar a tecnologia.
Menos pausas e mais pressão
As pesquisadoras também observaram que o uso da IA reduziu a separação entre momentos de trabalho e de descanso. Pequenas demandas passaram a ser resolvidas durante o almoço, em reuniões ou enquanto o profissional aguardava respostas e arquivos.
A facilidade para iniciar uma tarefa, bastando escrever um comando, contribuiu para esse comportamento. Alguns trabalhadores relataram o hábito de enviar “mais um prompt rápido” antes de sair da mesa, deixando a ferramenta processando atividades enquanto estavam ausentes. Como consequência, as pausas deixaram de proporcionar a mesma sensação de recuperação.
Além disso, mesmo sem aumento formal nas exigências, criou-se a expectativa de entregas mais ágeis, o que elevou a pressão sobre os times.
Multitarefas e carga cognitiva
Outro ponto identificado foi o crescimento das atividades realizadas em paralelo. Profissionais passaram a desenvolver tarefas manualmente enquanto a IA produzia versões alternativas, ou a manter múltiplos agentes funcionando simultaneamente. Demandas antigas também foram retomadas com a percepção de que poderiam ser executadas em segundo plano com apoio da tecnologia.
O resultado foi um estado constante de alternância de atenção, com checagem frequente de respostas da IA. De acordo com as autoras, essa dinâmica aumentou a carga cognitiva e contribuiu para a sensação de esgotamento.
Nas entrevistas, funcionários afirmaram que a IA não reduziu a sensação de ocupação – ao contrário. O efeito acumulado foi descrito como cansaço, dificuldade de se desconectar e maior risco de burnout.
As pesquisadoras alertam que o problema não afeta apenas os trabalhadores individualmente. A longo prazo, o excesso de trabalho pode comprometer a qualidade das decisões, elevar a probabilidade de erros e dificultar a distinção entre ganhos reais de produtividade e um ritmo insustentável.
O tema repercutiu entre profissionais da área de tecnologia. Relatos em blogs e fóruns indicam experiências semelhantes, com aumento das expectativas, crescimento do estresse e percepção de que a produtividade não evoluiu na mesma proporção da pressão.
Boas práticas
Como forma de mitigar os impactos, as autoras defendem a adoção de medidas como pausas programadas para reavaliar atividades, organização clara de prioridades, redução de interrupções não urgentes, definição de prazos mínimos para cada etapa dos projetos e realização de encontros periódicos para fortalecer a conexão entre os funcionários.
Para elas, o desafio está em equilibrar os benefícios da inteligência artificial com limites que preservem a saúde mental e a sustentabilidade do trabalho.
(Com informações de Tecnoblog)
(Foto: Reprodução/Freepik)











