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Estatística e Estudos Socioeconômicos – em outubro foi de 0,93%, com alta de 0,40 pontos percentuais (pp.) em relação a setembro (0,53%). O grande responsável pela alta foi o grupo Alimentação, o qual, em setembro, apresentou aumento de 1,03% e, em outubro, sua taxa foi acrescida de 1,44 pp. Atingindo a cifra de 2,47%.
Neste mês, todas as taxas por estratos de renda1, são superiores às de setembro e continuam a manter forte correlação negativa com o poder aquisitivo das famílias: 1º estrato (1,18%), 2º estrato (1,08%) e menor para o 3º (0,79%).
Além da Alimentação, a maior alta foi detectada no Transporte (1,07%), os demais grupos apresentaram taxas inferiores à inflação, tais como: Habitação (0,55%), Educação e Leitura (0,13%) e Vestuário (0,18%); e outros, taxas próximas a zero. Apenas a Saúde (- 0,52%) apontou deflação em seus valores.
A taxa da Alimentação (2,47%) foi muito acentuada, contribuindo com 0,69 pp. no cálculo da inflação. Os subgrupos que mais aumentaram seus valores foram: produtos in natura e semielaborados (4,06%) e produtos da indústria alimentícia (1,62%), os quais agravaram o resultado do ICV de outubro em 0,66 pp. A alimentação fora do domicílio (0,62%) foi o subgrupo com a menor variação em seus preços.
Dentre os produtos in natura e semielaborados, suas taxas foram bem distintas:
• Grãos (11,10%) – com alta extraordinária no feijão (36,32%) e pequena variação no arroz (0,30%);
• Aves e ovos (6,52%) – com alta acentuada nas aves (7,47%) e menor nos ovos (2,15%);
• Carne (4,50%) – sendo maior na bovina (4,60%) e menor na suína (2,49%);
• Frutas (2,75%) – com reajustes acentuados na laranja (5,28%) e limão (4,42%), e queda no mamão (-8,26%);
• Legumes (1,26%) – com taxas bastante distintas em seus itens, variando de -13,29% para o chuchu até 19,23% para o quiabo e
• Raízes e Tubérculos (0,66%) – com queda acentuada na cebola (-10,72%) e alta na batata (10,90%).
No subgrupo da indústria da alimentação (1,62%), as altas, de um modo geral, apresentaram forte correlação com os aumentos das commodities, como se observa nos seguintes bens: farinha de trigo (4,56%), macarrão (1,83%), pão francês (1,74%), óleos (3,37%), margarina (2,32%) e açúcar (3,72%). A alimentação fora do domicílio (0,62%) apresentou as seguintes taxas em seus itens: lanches (0,64%) e refeição principal (0,59%).
O aumento no Transporte (1,07%) se deu unicamente no subgrupo individual (1,56%), resultado do reajuste nos combustíveis (2,62%), notadamente, no álcool (7,36%).
Na Habitação (0,55%) a alta foi resultado dos reajustes no subgrupo locação, impostos e condomínio (1,26%), devido, principalmente, ao aumento do condomínio (1,29%) e do IPTU (2,22%).
Os subgrupos da operação (0,32%) e conservação (0,12%) do domicílio pouco alteraram seus valores.
A queda de valor na Saúde (-0,52%) deve-se à baixa no subgrupo da assistência médica
(-0,67%), uma vez que, o subgrupo medicamentos e produtos farmacêuticos (0,06%) pouco modificou sua taxa.
Indices por estrato de renda
Além do índice geral, o DIEESE calcula ainda mais três indicadores de inflação, segundo tercis da renda das famílias paulistanas. Em outubro, as taxas por estrato de renda foram decrescentes com o poder aquisitivo das famílias: 1º (1,18%), 2º (1,08%) e 3º (0,79%). As taxas de outubro em relação às de setembro apontaram diferenças positivas, porém decrescentes com a renda familiar: 1º (0,57 pp.), 2º (0,49 pp.) e 3º (0,30 pp.).
Resultados da inflação nas taxas por estrato
As taxas inflacionárias por estrato de renda são distintas, resultado da forma de despender das famílias, segundo seu poder aquisitivo, relacionado com as diversas variações de preços dos bens e serviços.
A alta na Alimentação (2,47%), que teve origem, principalmente, nos produtos in natura e
semielaborados, tais como o feijão, as carnes bovinas e o frango, afetaram mais as famílias dos estratos 1 e 2, com contribuições no cálculo de suas taxas de 1,07 pp. e 0,89 pp., respectivamente. O impacto na taxa do 3º estrato foi menor, ou seja, de 0,50 pp.
Os aumentos ocorridos nos grupos: Transporte e Habitação, que tiveram origem nos reajustes dos itens: condomínio, impostos, serviços domésticos e combustíveis, vieram a impactar mais as taxas das famílias com maiores rendas, com contribuições conjuntas em seus resultados de: 0,15 pp. para o 1º, 0,24 pp. para o 2º e 0,35 pp. para o 3º estrato. Por sua vez, a queda na Saúde, originária do subgrupo da assistência médica, resultou em maiores benefícios no cálculo das taxas por estrato à medida que aumenta a renda familiar: – 0,05 pp. para o 1º e -0,08 pp. para o 2º e 3º estrato.
Como as taxas dos demais grupos foram relativamente pequenas, não se detectam diferenças marcantes em suas contribuições por estrato de renda, afetando as famílias de forma relativamente semelhante.
Inflação Acumulada
Nos últimos 12 meses, de novembro de 2009 a outubro de 2010, o ICV apresentou alta de 5,85%. Ao se considerar os diferentes estratos, as taxas anuais são decrescentes com a renda familiar:
1º (6,37%), 2º (6,16%) e 3º (5,58%). Neste ano, a inflação acumulada é de 5,14%, as taxas por estrato apontaram comportamento semelhante à taxa anual, ou seja, decrescente com o poder aquisitivo: 1º (5,76%), 2º (5,51%) e 3º (4,81%).
Comportamento dos preços em 2010
Neste ano, os grupos com taxas superiores à inflação (5,14%) foram: Alimentação (7,24%) e
Habitação (5,96%). Semelhante à inflação, foram observados os grupos: Educação e Leitura
(5,14%) e Saúde (5,01%). Com taxas menores, observou-se: Despesas Pessoais (4,20%) e Transporte (3,13%). Taxas negativas foram detectadas nos grupos: Vestuário (-0,06%), Recreação (-0,10%) e Equipamentos (-0,74%).
Na Alimentação (7,24%), as altas dos produtos in natura e semielaborados (10,06%) foram distintas, com taxa elevada no item grãos (27,34%), devido ao extraordinário aumento do feijão
(105,62%) e das carnes (17,48%), com aumento no preço da bovina (18,08%) e das aves (9,68%). Os demais itens variaram em torno da inflação geral, e outros apresentaram oscilações tipicamente sazonais.
Os aumentos no subgrupo da indústria alimentícia (3,80%) foram menores, no entanto, cabe ressaltar o reajuste do leite longa vida (19,42%), do sal (12,41%) e da farinha de trigo (8,22%). O subgrupo da alimentação fora do domicílio apresentou reajuste de 7,35%, com as seguintes taxas: refeição principal (6,91%) e lanches (7,97%).
Os aumentos nos subgrupos da Habitação (5,96%) não foram homogêneos, sendo acentuadamente maiores para locação, impostos e condomínio (9,93%) e conservação (7,75%), frente à da operação do domicílio (3,63%).
A taxa do grupo Educação e Leitura (5,14%), provavelmente, não afetará a inflação no restante de 2010, pois é apenas no início de cada ano, que as escolas costumam ajustar seus valores. A alta na Saúde (5,01%) ocorreu tanto na assistência médica (4,85%) como nos medicamentos e produtos farmacêuticos (5,69%).
No grupo Despesas Pessoais (4,20%), as taxas foram muito distintas entre seus subgrupos: higiene e beleza (2,39%) e fumo e acessórios (6,43%). Variação de preço pequena, em 2010, foi observada no Transporte (3,13%), com taxas díspares em seus subgrupos: queda no individual (-0,43%) e alta no coletivo (11,96%). Deflação foi detectada nos grupos: Equipamentos (-0,74%), Recreação (-0,10%) e Vestuário (-0,06%), sendo mais acentuada nos subgrupos: rouparia (-2,43%), eletrodomésticos (-1,97%), produtos da recreação (-1,28%) e roupas (-1,18%).
Comportamento dos preços nos últimos 12 meses
As variações verificadas neste período deram-se de maneira bastante heterogênea entre os grupos, subgrupos e itens que compõem o ICV-DIEESE. Para uma inflação da ordem de 5,85%, as maiores altas foram apuradas nos grupos: Alimentação (7,92%), Habitação (6,50%) e Saúde (6,18%). Com variações semelhantes ao índice geral, observou-se Educação e Leitura (5,55%) e Transporte (4,46%). Taxas negativas ou próximas a zero foram detectadas nos grupos: Equipamento (-1,34%) e Vestuário (0,15%).
Na Alimentação (7,92%), as taxas dos subgrupos dos produtos in natura e semielaborados (11,24%) e alimentação fora do domicílio (8,17%) foram elevadas, já a da indústria da alimentação (3,85%) foi bem inferior. Alguns alimentos merecem destaque: feijão (92,82%), alho (36,94%) e carne bovina (18,91%).
A Habitação (6,50%) apresentou maior alta no subgrupo da locação, impostos e condomínio
(9,77%) devido aos acentuados reajustes nos seus itens: condomínio (11,65%) e IPTU (20,56%), uma vez que a locação (4,48%) variou próxima ao índice geral. As taxas dos demais subgrupos foram:
4,61% para a operação e 7,84% para a conservação do domicílio. No grupo Saúde (6,18%), as taxas de seus subgrupos foram equivalentes à inflação: assistência médica (6,29%) e medicamentos e produtos farmacêuticos (5,81%).
Na Educação e Leitura (5,55%), a alta teve origem na educação (6,05%), dado que a leitura
(-2,44%) apresentou deflação. O aumento no Transporte (4,46%) foi mais acentuado no subgrupo coletivo (11,96%) e bem menos para o individual (1,38%).
Taxas negativas ou pequenas foram observadas nos grupos: Equipamentos (-1,34%) e
Vestuário (0,15%). Dentre seus subgrupos, as maiores quedas foram: eletrodomésticos (-3,18%), rouparia (-1,87%), móveis (-0,73%) e roupas (-1,47%).
Inflação anual dos Alimentos
Desde o início de 2010, de janeiro a maio, os alimentos pressionaram a inflação, com alta de
5,24%. No trimestre de junho a agosto sua taxa caiu acentuadamente, apresentando deflação da ordem de -1,57%. Porém, nos meses que se seguiram, setembro e outubro, os preços dos alimentos voltaram a subir de forma significativa, atingindo uma inflação no bimestre de 3,53%.
Este comportamento, de altas e baixas dos alimentos, sugeriu uma análise da série de taxas acumuladas do índice Geral e da Alimentação, nos últimos 12 meses.
Os motivos que justificam o comportamento dos alimentos de forma muito irregular estão relacionados a alguns produtos, que sofreram variações de preços ao longo dos últimos 12 meses, por diversas razões.
O feijão foi o alimento com maior alta anual, atingindo 92,82%. Chama atenção que suas taxas mensais não aumentaram de forma contínua, assim, de nov/09 até fev/10 seus preços caíram em -8,87%, nos meses que se seguiram de mar/10 a mai/10 observou-se aumento extraordinário de 88,94%, voltando a cair de jun/10 a set/10 -17,85% e somente neste mês de outubro atingiu a cifra de 36,32%. Os motivos levantados deste comportamento irregular estão não só associados a questões sazonais, mas principalmente, à quebra de safras devido às intempéries climáticas.
Quanto ao preço da carne bovina ter um aumento anual de 18,91%, este está relacionado em grande parte à alta ocorrida nos últimos três meses (13,61%), devido a questões climáticas, que resultaram em diminuição do abate de boi e, consequentemente, em redução na oferta do produto, segundo aponta o Cepea.
O frango, por ser um substituto natural da carne bovina, tem um preço que acompanha de certa forma o da carne, com maiores variações positivas nos três últimos meses da série (12,52%). Cabe salientar que a alta taxa de outubro (7,47%) também reflete em parte o aumento de seus insumos básicos como o milho e a soja no mercado internacional.
Os dois últimos produtos, o pão de sal (5,44%) e o óleo de soja (5,02%), tiveram aumentos mais expressivos nos dois últimos meses, setembro e outubro, com taxas acumuladas neste bimestre de 3,14% para o pão e 9,59% para o óleo. Estes alimentos estão fortemente relacionados aos preços das commodities como a soja e o trigo, que subiram muito nos últimos meses no mercado internacional, como resultado das fortes secas ocorridas na Rússia, Canadá, Ucrânia e Austrália.
A constatação dos alimentos que pressionaram a inflação nestes dois últimos meses permite afirmar que este comportamento, em um primeiro momento, foi preocupante. Porém, a maioria dos produtos com alta em seus preços teve como principal causa a diminuição da oferta por motivos climáticos, quer seja no Brasil ou no exterior. Portanto, espera-se a normalização da oferta e a volta de seus valores a patamares menores. Não se deve, no entanto, minimizar o aumento da demanda, tanto interna como internacional, que favorece de certa forma a manutenção dos preços das commodities em níveis elevados.

Fonte: Dieese

Autor: Assessoria de Comunicação

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