O Brasil recebeu no ano passado US$ 2 bilhões em remessas de emigrantes, o que representa aumento, em termos nominais, de 0,8% em relação a 2011. Em valores reais e deflacionados, o crescimento foi de 12%. Os números constam no relatório sobre remessas para a América Latina e o Caribe em 2012 do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin), pertencente ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O documento destaca que houve uma inversão do que se viu em 2011, quando as remessas para o país caíram 4,9% na comparação com 2010, em grande parte devido ao regresso de brasileiros que vivem no Japão. Contribuiu positivamente para a expansão os sinais positivos do mercado de trabalho dos imigrantes nos Estados Unidos, de onde vem parte significativa das remessas para o Brasil.
Os fluxos de remessas para os países da América Latina e para o Caribe somaram ao todo US$ 61,3 bilhões no ano passado, um modesto incremento de 0,6% ou US$ 300 milhões em relação a 2011, o que aponta uma "estabilização" das remessas em novo patamar.
Entre 2002 e 2008, esses fluxos cresciam a um ritmo médio de 17%. Mesmo tendo batido recorde em 2008 (US$ 65 bilhões), foi naquele ano que começou um declínio desse movimento, em decorrência da crise econômica e financeira global. Em 2009, os fluxos despencaram 15%. No ano seguinte, houve recuperação, com as remessas com expansão de 4,9%. O processo continuou em 2011, quando o aumento em relação ao ano anterior foi de 6%. A trajetória foi interrompida no último trimestre de 2011 e seguiu inconstante no decorrer do ano passado.
O comportamento desses fluxos é bastante heterogêneo entre os países da região. O que puxou o ligeiro crescimento do ano passado foi a expansão das remessas para os países da América Central, cujos fluxos aumentaram 6,5%. As remessas para os países da América do Sul e para o México diminuíram 1,1% e 1,6%, respectivamente, e as do Caribe aumentaram 0,1%.
O relatório aponta as incertezas econômicas e o mercado de trabalho desaquecido na Europa como fatores responsáveis pela queda nas remessas dos migrantes na Espanha. Por outro lado, a melhora do mercado de trabalho dos Estados Unidos explicou, em grande medida, o aumento das remessas para alguns países, especialmente para os da América Central.
O México segue liderando com folga o ranking de maiores receptores de remessas da região. Em 2012 foram US$ 22,4 bilhões, queda de 1,6% em relação a 2011. Depois de um tombo devido à crise, os recursos tinham seguido trajetória de alta, a partir de 2010, que foi suspensa no segundo semestre do ano passado, em parte, segundo o relatório, graças às mudanças nos fluxos de migração e ao aumento da taxa de câmbio.
O Fumin projeta que neste ano as remessas vão ter crescimento semelhante ao do ano passado. Isso porque se, pelo lado dos EUA, pode se esperar uma estabilização do envio de remessas, as condições do continente europeu indicam queda, especialmente por conta da situação de desemprego na Espanha. É até possível, diz o estudo, que a expansão da atividade econômica nos próprios países da região permita que cresçam os fluxos intrarregionais.












