Redes sociais entre adolescentes – O governo do Reino Unido vai testar, ao longo de seis semanas, como diferentes níveis de restrição às redes sociais afetam a vida de adolescentes. A iniciativa envolve 300 jovens das quatro nações britânicas — Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte — e ocorre em meio ao debate no Parlamento sobre a possibilidade de proibir o acesso às plataformas digitais para menores de 16 anos.
Durante o experimento, os participantes serão divididos em três grupos com regras distintas. Um deles terá acesso totalmente bloqueado às redes sociais, simulando um possível banimento. Outro grupo enfrentará limitações parciais, como bloqueios no período noturno ou uso restrito a uma hora por dia em aplicativos populares entre jovens, como Instagram, TikTok e Snapchat. Já o terceiro seguirá sem qualquer restrição, mantendo o uso habitual.
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A comparação entre os grupos deve permitir ao governo avaliar impactos práticos das restrições no cotidiano dos adolescentes. A secretária de Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que a proposta é “testar diferentes opções no mundo real”.
A iniciativa ocorre paralelamente a uma consulta pública sobre bem-estar digital, que já reuniu quase 30 mil respostas de pais e crianças. O prazo para participação termina em 26 de maio, e os resultados devem orientar futuras decisões regulatórias. Segundo Kendall, os dados coletados fornecerão “a evidência necessária para dar os próximos passos, informados pelas experiências das próprias famílias”.
Além do projeto piloto, uma pesquisa independente financiada pela Wellcome Trust também investigará os efeitos da redução do uso de redes sociais. O estudo envolverá cerca de 4 mil estudantes, entre 12 e 15 anos, em escolas da cidade de Bradford, na Inglaterra, e analisará fatores como ansiedade, qualidade do sono, convivência social, bem-estar, imagem corporal, faltas escolares e bullying.
As iniciativas britânicas ocorrem em um cenário de pressão internacional por maior regulamentação das redes sociais para menores. A Austrália foi pioneira ao anunciar o banimento das plataformas para adolescentes em dezembro do ano passado. Desde então, países como França, Espanha e Portugal também passaram a discutir ou adotar medidas semelhantes, impulsionados por preocupações com a saúde mental de crianças e jovens.
No Reino Unido, o tema segue em disputa política. Parlamentares rejeitaram recentemente uma proposta de proibição, mas uma nova votação está prevista. O ex-ministro John Nash criticou o projeto inicial, classificando-o como “medidas pela metade, que mais uma vez colocam a pressão nos pais em vez de responsabilizar as grandes empresas de tecnologia e interromper os danos horríveis que as redes sociais estão infligindo a uma geração”.
Segundo o jornal The Guardian, pais têm pressionado parlamentares a apoiar o banimento. Em mensagens enviadas aos políticos, eles afirmam que famílias “estão assistindo seus filhos rolar, enviar mensagens e se envolver em plataformas que sabem não serem seguras”. Ainda de acordo com os relatos, muitos dizem estar “temerosas, sobrecarregadas e fazendo o seu melhor para proteger seus filhos em um sistema que não foi projetado para ajudá-las”.
O diretor executivo da NSPCC, Chris Sherwood, também defendeu medidas mais rígidas. Ele afirmou que, caso o governo não responsabilize as empresas de tecnologia consideradas “falhas”, a proibição das redes sociais seria uma alternativa melhor do que a situação atual. A organização pede que menores de 13 anos sejam mantidos fora das plataformas e que haja medidas jurídicas para evitar conteúdos ilegais e práticas que incentivem o uso excessivo entre adolescentes.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/Marymarkevich)












