Aumento do calor – A redução da cobertura vegetal de Cuiabá nas últimas décadas está diretamente relacionada às transformações provocadas pela expansão urbana e por obras de infraestrutura. Dados do Instituto Centro de Vida (ICV) mostram que o município perdeu 55.763 hectares de vegetação nativa entre 1988 e 2017, o equivalente a 17% da cobertura vegetal do território. A área desmatada corresponde a aproximadamente 2,5 vezes a extensão da atual zona urbana da capital.
Uma análise mais recente, concentrada exclusivamente na área urbana, indica que 7.211 hectares de vegetação nativa foram perdidos entre 1985 e 2024. De acordo com Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, isso representa uma redução de 52% das áreas verdes existentes na zona urbana de Cuiabá em quatro décadas.
LEIA: Meta sofre nova condenação por danos à saúde mental de crianças e adolescentes
“Isso significa que, em 40 anos, Cuiabá perdeu 52% das áreas verdes da sua zona urbana, principalmente em decorrência de novos loteamentos e obras de infraestrutura”, disse.
A retirada da vegetação também interfere diretamente no comportamento térmico da cidade. Para Flávia Maria de Moura Santos, professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a arborização é especialmente importante em cidades de clima quente, como Cuiabá.
Segundo a pesquisadora, as árvores ajudam a controlar a temperatura por meio do sombreamento e da evapotranspiração, processo pelo qual as plantas liberam umidade na atmosfera.
“A vegetação contribui de forma direta para a redução da temperatura do ar. Primeiro pelo sombreamento e também por meio da evapotranspiração, que ajuda a aumentar a umidade e torna o clima menos seco”, afirmou.
Quando a vegetação é substituída por superfícies como asfalto e concreto, o comportamento térmico do ambiente também muda. Esses materiais absorvem e armazenam mais calor durante o dia, devolvendo a energia à atmosfera posteriormente. O aumento da circulação de veículos contribui para agravar o fenômeno.
“Esses materiais absorvem muito calor, armazenam essa energia e a devolvem para a atmosfera, aquecendo o ambiente ao redor […] Essa substituição da cobertura vegetal por pavimentos impermeáveis intensifica a ilha de calor. Lugares com mais concreto e asfalto tendem a registrar temperaturas mais altas”, explicou.
Obras e crescimento urbano
Entre os exemplos identificados pelos pesquisadores está a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto relacionado à Copa do Mundo de 2014 que não chegou a ser concluído.
Segundo Silgueiro, cerca de 2.500 árvores foram retiradas para as obras do modal. O levantamento do ICV aponta a expansão urbana e grandes obras de infraestrutura como alguns dos principais fatores relacionados à redução da cobertura vegetal.
“Na época, também analisamos o impacto da retirada de cerca de 2.500 árvores para as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projeto da Copa do Mundo de 2014 que nunca foi concluído”, afirmou.
As obras do VLT foram posteriormente substituídas pelo projeto do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT).
Em nota, o Consórcio Integra BRT afirmou que atua apenas como executor da obra. Segundo o consórcio, informações sobre cronograma, medidas de compensação ambiental e outros detalhes do empreendimento devem ser prestadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), responsável pelo contrato.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou que o licenciamento ambiental autorizou a retirada de árvores somente nas áreas necessárias para a execução das obras. Conforme a pasta, a compensação ambiental determina a reposição florestal das espécies suprimidas, com replantio previsto durante a implantação do parque linear, entre o 10º e o 20º mês do cronograma da obra.
Já o Horto Florestal de Cuiabá informou não possuir registros de recebimento de árvores doadas pelo Consórcio VLT após a retirada da vegetação, em 2014. A instituição explicou que a remoção, a destinação e o eventual replantio das árvores eram de responsabilidade do consórcio, conforme estabelecido no processo de licenciamento ambiental.
Avenida das Torres e outras áreas
A abertura da Avenida Professora Edna Affi, conhecida como Avenida das Torres, também aparece entre os exemplos relacionados à transformação da paisagem urbana. A implantação da via impulsionou a ocupação da região, onde áreas de vegetação nativa deram lugar a loteamentos, condomínios e novos empreendimentos.
Nas margens do Rio Cuiabá, o estudo identificou diminuição da vegetação ciliar em razão do avanço da ocupação urbana e da construção em Áreas de Preservação Permanente (APPs). A alteração compromete a proteção do rio.
Na região do bairro Porto, imagens comparativas utilizadas pelos pesquisadores mostram a substituição de áreas verdes pela urbanização ao longo dos anos, com consequente redução da cobertura vegetal.
A abertura de novos loteamentos e bairros também é apontada como uma das principais causas da retirada da vegetação nativa em diferentes pontos da capital.
Reposição precisa ser planejada
Para Flávia Maria de Moura Santos, o reflorestamento pode contribuir para diminuir os impactos provocados pela perda de áreas verdes, mas o plantio precisa ser feito de maneira planejada.
A escolha das espécies, segundo a pesquisadora, é fundamental para garantir benefícios ambientais e térmicos. Ela ressalta que determinadas árvores podem ter importância paisagística, mas oferecer pouca sombra.
“Não basta plantar qualquer árvore. Algumas espécies, como as palmeiras, têm valor paisagístico, mas oferecem pouca sombra e pouca contribuição para a redução da temperatura. É preciso escolher espécies adequadas para cada local”, explicou.
A pesquisadora também alerta que, sem políticas de arborização e preservação da cobertura vegetal, a tendência é que Cuiabá registre temperaturas cada vez mais elevadas, em um cenário marcado pelo crescimento urbano e pelo aumento da frota de veículos.
Guia reúne espécies de árvores de Mato Grosso
Como uma das iniciativas relacionadas ao conhecimento e manejo da vegetação, o Governo de Mato Grosso lançou o Guia para Identificação de Espécies Arbóreas Produtoras de Madeira.
O material foi produzido para auxiliar empresas do setor florestal e profissionais envolvidos no manejo na identificação correta das principais espécies comercializadas no estado.
A publicação reúne informações botânicas, fotografias e características morfológicas e anatômicas da madeira. O objetivo é reduzir erros de identificação e aumentar a segurança na comercialização dos produtos florestais.
Para elaborar o guia, foram realizadas coletas em áreas de manejo florestal de 10 municípios mato-grossenses. Os pesquisadores analisaram 433 árvores e relacionaram os nomes populares e científicos das espécies. Também foram registradas amostras de folhas, madeira e outras estruturas vegetais utilizadas como base para a publicação.
Ao todo, a obra apresenta informações sobre 51 espécies consideradas de maior importância para o mercado madeireiro de Mato Grosso. O conteúdo inclui critérios para reconhecer as árvores durante inventários florestais e nos pátios de madeira, além de orientar a identificação de grupos de espécies com características semelhantes.
Rua Baltazar Navarro virou exemplo do debate sobre arborização
A discussão sobre a retirada de árvores também ganhou repercussão em Cuiabá após um vídeo publicado nas redes sociais em maio deste ano mostrar a transformação da Rua Baltazar Navarro, no bairro Bandeirantes, antes e depois da retirada de árvores em um intervalo de um ano.
A gravação repercutiu e provocou debate sobre a arborização urbana na capital. Na ocasião, a Prefeitura de Cuiabá informou que a retirada de cinco árvores da espécie figueira (Ficus benjamina), existentes em um imóvel da rua, havia sido autorizada pela Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb).
Segundo o município, a autorização estabelecia o replantio imediato de cinco árvores nativas no mesmo terreno como medida compensatória prevista na legislação ambiental.
“A autorização para retirada das árvores foi emitida após avaliação técnica que identificou risco potencial à segurança da população e à infraestrutura urbana. Conforme o laudo, os exemplares apresentavam porte elevado, raízes expostas e avançado estado de senescência, além da presença de cupins e apodrecimento do caule, fatores que comprometem a estabilidade estrutural das árvores e aumentam o risco de queda”, diz trecho da nota.
Em nota, o Governo de Mato Grosso afirmou, na época, que a retirada havia sido realizada com autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá.
Os diferentes casos analisados pelo estudo mostram como a transformação da paisagem urbana, seja pela abertura de vias, construção de empreendimentos, ocupação de áreas próximas aos rios ou realização de grandes obras, contribuiu para a redução da vegetação. Para especialistas, preservar e recompor essas áreas é uma das estratégias para amenizar os efeitos do calor em uma cidade que continua crescendo.
Qualifique-se agora com a Fenati Academy!
Dentro da Bee Fenati, o usuário encontra ainda a Fenati Academy, que oferece mais de 8 mil opções de qualificação e atualização profissional com bolsa integral para sócios e contribuintes de sindicatos filiados à Fenati. (Saiba mais)
Na plataforma, o profissional pode acessar o Sindplay, streaming de qualificação para profissionais de TI reconhecido como a “Netflix de TI”, que possui cursos em áreas como cibersegurança, Inteligência Artificial, desenvolvimento de softwares, desenvolvimento para a internet, administração de sistemas e redes, ciência de dados, gestão de projetos de TI, blockchain e tecnologias de moedas digitais, entre outras. (Saiba mais)
A ferramenta oferece também cursos em parceria com a Cisco Networking Academy, com CERTIFICAÇÕES GRATUITAS em áreas como segurança cibernética, Redes, IA, Ciência de dados, Inglês para TI, Programação, Tecnologia da informação, Alfabetização digital, Habilidades Profissionais (Soft skills) e Sustentabilidade. (Saiba mais)
Outra parceria da Fenati Academy é a Oracle University, uma das maiores referências globais em tecnologia. Os usuários já podem acessar cursos, trilhas de aprendizado e obter certificações Oracle gratuitamente ou com descontos exclusivos. Os conteúdos passam por áreas estratégicas como bancos de dados, computação em nuvem, inteligência artificial, desenvolvimento, automação e soluções corporativas. (Saiba mais)
Encontre o emprego dos seus sonhos com a Bee Hunter!
Sócios e contribuintes contam ainda com uma ferramenta para se aproximarem das melhores oportunidades do mercado de trabalho: a Bee Hunter, uma plataforma inteligente da Bee Fenati que utiliza tecnologia e inteligência artificial para tornar a busca por vagas mais eficiente, estratégica e conectada ao perfil de cada usuário. (Saiba mais aqui)
A partir do cadastro do currículo, a plataforma utiliza inteligência artificial para analisar informações como experiências, competências e objetivos profissionais, cruzando esses dados com vagas disponíveis em empresas parceiras como Vagas.com, Sinergy e Trampos e identificando as posições que mais combinam com o perfil do usuário.
A Bee Hunter vai além e auxilia o profissional a estar preparado para a vaga dos sonhos! Isso porque nossa inteligência analisa o perfil e sugere cursos da Fenati Academy que vão ajudá-lo a ampliar sua qualificação e elevar a aderência às vagas desejadas. Acesse agora clicando aqui e encontre seu emprego dos sonhos!
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Flávio André de Souza/MTUr)












