Nova geração de computadores reacende alerta sobre segurança de bitcoins

Estudo aponta que avanços na computação quântica podem antecipar vulnerabilidades em sistemas criptográficos, pressionando o setor a acelerar mudanças na segurança digital

Bitcoin – O bitcoin sempre foi tratado como um dos sistemas mais seguros do ambiente digital, sustentado por uma base criptográfica considerada praticamente invulnerável. No entanto, esse cenário começa a ser reavaliado diante de avanços recentes na computação quântica, que podem reduzir significativamente o tempo necessário para quebrar essas proteções.

Um novo estudo científico colocou o tema no centro do debate ao sugerir que a resistência dos sistemas criptográficos pode estar mais próxima do limite do que se imaginava. A pesquisa foi conduzida por especialistas ligados à Oratomic, ao Caltech e à Universidade da Califórnia em Berkeley, e aponta uma mudança relevante nas estimativas técnicas sobre o poder necessário para comprometer esse tipo de segurança.

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Segundo os pesquisadores, os requisitos para que computadores quânticos consigam romper sistemas criptográficos modernos são menores do que projeções anteriores indicavam. Isso impacta diretamente o bitcoin e diversas outras criptomoedas, que utilizam arquiteturas baseadas em criptografia de curvas elípticas.

A principal preocupação está na capacidade dos computadores quânticos de resolver problemas matemáticos complexos com uma eficiência muito superior à dos computadores tradicionais. O estudo destaca que o chamado algoritmo de Shor, essencial nesse tipo de quebra criptográfica, pode ser executado com menos recursos do que se acreditava.

Antes, estimava-se que seriam necessários milhões de cúbits para atingir esse nível de processamento. Agora, os pesquisadores indicam que cerca de 10 mil cúbits atômicos reconfiguráveis já poderiam ser suficientes para comprometer sistemas amplamente utilizados. Em um cenário mais avançado, com aproximadamente 26 mil cúbits físicos, seria possível quebrar assinaturas digitais em questão de dias.

Essa nova perspectiva amplia os riscos não apenas para o valor das criptomoedas, mas também para a confiança em todo o ecossistema digital. Caso a tecnologia seja explorada, um invasor poderia falsificar assinaturas digitais e assumir o controle de carteiras sem deixar rastros, comprometendo diretamente a noção de propriedade digital.

O impacto também vai além do universo cripto. A mesma base criptográfica é usada em serviços online diversos, como autenticação de usuários e proteção de dados, o que amplia o alcance potencial dessa vulnerabilidade.

Diante desse cenário, a reação da indústria já começou. Grandes empresas de tecnologia passaram a tratar a ameaça como concreta e iniciaram movimentos para adaptar seus sistemas. A Google, por exemplo, estabeleceu um prazo interno para migrar suas estruturas de segurança para padrões mais avançados.

A meta da empresa é implementar a chamada criptografia pós-quântica até 2029, considerado um marco crítico para evitar falhas futuras. A urgência é maior em áreas sensíveis, como sistemas de autenticação e assinaturas digitais, que dependem diretamente da confiabilidade criptográfica.

O estudo também aponta que a evolução da computação quântica tem sido acelerada por novas arquiteturas, como sistemas baseados em átomos neutros, que aumentam a eficiência do processamento. Com isso, algoritmos considerados seguros por décadas passam a ter prazo de validade mais curto, incluindo padrões robustos como o RSA-2048.

Nesse contexto, especialistas avaliam que o cenário não representa necessariamente o fim das criptomoedas, mas sim uma fase de transição. Assim como outras tecnologias ao longo da história, o setor deve se adaptar, incorporando novos padrões de segurança capazes de resistir ao avanço quântico.

O desafio central, segundo o estudo, não está apenas na existência da tecnologia, mas na velocidade com que ela evolui, e na capacidade do mercado de acompanhar essa transformação.

 

(Com informações de Gizmodo)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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