MT torna campeão no uso de defensivos: 88% dos professores contaminados

Estudo sobre o uso de agrotóxicos no Estado realizado em conjunto pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ), com professores e alunos de qu

Estudo sobre o uso de agrotóxicos no Estado realizado em conjunto pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Fundação Osvaldo Cruz (FIOCRUZ), com professores e alunos de quatro escolas do município de Lucas do Rio Verde (354 quilômetros de Cuiabá), apontou a presença de defensivos em 88% das amostras de sangue e urina dos docentes.

Conforme o levantamento, os níveis de resíduos nos professores que moravam e atuavam na zona rural foi o dobro do verificado naqueles situados na zona urbana.

O estudo, realizado entre os anos de 2007 e 2010, com base no sistema de registro do Instituto de Investigação, Desenvolvimento e Estudos Avançados (Indea), pontua que Mato Grosso consumiu, somente no último ano de pesquisa, 110 milhões de litros de agrotóxicos – o que o torna campeão no uso de defensivos, entre todas as unidades da federação do país.

“A maior parte dos agrotóxicos é usado na produção de soja e Mato Grosso é o maior produtor de soja do Brasil”, observou o pesquisador Wanderlei Pignati, um dos coordenadores do estudo.

Os defensivos mais utilizados no Estado pertencem ao grupo de herbicidas, fungicidas e inseticidas.

Mato Grosso, conforme Pignati, ainda faz o uso de 14 defensivos que estão na mira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por serem altamente tóxicos. Endosulflan e Paration Metílico são alguns deles.

Do grupo dos 14, 13 são proibidos na União Européia, segundo o pesquisador.

Pignati ressalta que é possível produzir em larga escala sem a utilização de agrotóxicos, desde que exista um plano de manejo bem definido, além de um controle biológico de pragas e utilização de sementes cultivadas em laboratórios – resistentes às pestes.

No estudo, os pesquisadores sugerem medidas urgentes a serem adotadas pelo governo do Estado.

Proibição de pulverizações por avião e de uso de agrotóxicos vetados na União Européia, fim dos subsídios públicos aos defensivos, implantação de Vigilâncias à Saúde dos trabalhadores nos municípios com grande exposição aos venenos, são algumas delas.

Todo o estudo foi apresentado no II Seminário da Estadual da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, evento que segue até esta sexta-feira (4), no Centro Cultural da UFMT.
 

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