O Pisa é realizado em 65 países do mundo e, para este último levantamento (referente a 2009), monitorou o desempenho em leitura, matemática e ciências de 470 mil estudantes nascidos em 1993 (sendo 20 mil no Brasil). Para cada área do conhecimento, são atribuídos pontos. O Brasil está com 401 pontos de média geral (a média mundial é 496). O Distrito Federal tem a melhor pontuação, 439.
Mato Grosso, que no último levantamento estava na 17ª posição, está com 389 pontos, figurando novamente abaixo da média nacional (em 2006, o Pisa atribuiu média de 384 ao Brasil e 370 a Mato Grosso). É suficiente para superar somente estados historicamente cambaleantes nesse tipo de avaliação, como Paraíba, Bahia e Tocantins (todos do Norte ou Nordeste). Alagoas teve o pior desempenho: 354 pontos.
Em leitura, os mato-grossenses obtiveram meio ponto acima da Argentina neste quesito. Em matemática, pontuação mais próxima à da Colômbia e, em ciências, a pontuação ficou entre a da Argentina e do Panamá – todos países com desempenhos piores que do Brasil.
O que prejudica a qualidade do ensino básico geral em Mato Grosso e produz essas estatísticas insatisfatórias é o desempenho no ensino médio, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino, Gilmar Soares. A situação crítica, diz, é fruto óbvio da falta de investimentos por parte do governo estadual, que sequer aplica os 25% constitucionais de sua receita em educação. Isso compromete outros fatores da qualidade no ensino médio, como remuneração de professores e oportunidades de qualificação. Soares também atribui a isso a queda no nível geral dos alunos que, depois chegam às universidades.
É um cenário que a secretária estadual de Educação, Rosa Neide Sandes de Almeida, prevê sendo amenizado nos próximos anos. Ela concorda que o ensino médio tem “puxado para baixo” o desempenho do Estado em educação; o ensino fundamental, diz, sempre teve mais atenção e recursos porque foi o único considerado obrigatório por muito tempo. Por falar em tempo, ela calcula que é preciso pelo menos dez anos para o Estado sair da linha intermediária nas estatísticas. Nesse sentido, uma das medidas é finalmente repassar os devidos 25%. Mais R$ 75 milhões estariam assegurados para 2011. Infelizmente, é dinheiro para superar ainda dificuldades primárias, como a falta de estrutura nas escolas. A Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá não retornou o telefonema da reportagem ontem.