Diante do “risco real de epidemia de dengue”, informou o ministro da Saúde, nada mais necessário do que dialogar com o movimento sindical brasileiro, a “parcela mais organizada dos usuários do sistema público de saúde” para auxiliar na prevenção. “Ter vocês como parceiros pode ser algo decisivo”, declarou Padilha, defendendo a parceria para ampliar e qualificar uma ampla rede, que não só atue no caso específico da dengue – mais urgente -, mas também em questões relativas à saúde do idoso, à prevenção das doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e da AIDS.
Dos 16 Estados com “risco de alerta”, há 70 municípios de “alto risco”, onde problemas com o acesso à água e ao saneamento básico, aliados à alta densidade populacional potencializam as adversidades no combate ao mosquito transmissor da dengue. Para estes municípios o Ministério está solicitando às autoridades uma checagem diária e uma quantificação semanal dos casos. Padilha sublinhou que “prevenir é melhor do que remediar” e lembrou que nas conversas com o empresariado tem solicitado maior envolvimento com a questão, já que além dos evidentes riscos à saúde, individual e coletiva, uma pessoa com dengue aumenta os custos da empresa, já que falta em média seis dias ao trabalho – se o caso for ambulatorial, e 11, caso fique internado.
Para o combate ao mosquito, assinalou o ministro, é preciso o envolvimento das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (CIPAs), dos representantes dos trabalhadores nos Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde, e “usar muito os meios de comunicação sindical para fazer a informação chegar nos locais de trabalho”. Padilha disse que a experiência mostra que grande parte das pessoas infectadas não procuraram as unidades básicas de saúde. Assim, quando foram buscar auxílio, precisaram disputar atendimento no Pronto Socorro, onde se acumulam casos mais graves com vítimas de acidentes de carro, de tiros, facadas, etc… “É uma disputa com risco, devido à demora da procura”, explicou.
Ao mesmo tempo em que convocou o movimento sindical a ser um aliado do governo na mobilização contra uma provável epidemia, Padilha comunicou que estão sendo contatadas organizações empresariais, religiosas e esportivas, para que se somem neste grande mutirão nacional em defesa da saúde.
A atualização dos médicos e enfermeiros, também da rede privada, assinalou, é uma prioridade, uma vez que há cidades em que os óbitos por dengue aconteceram na saúde complementar. “Por isso vamos usar todos os instrumentos para esta mobilização”, frisou Padilha, lembrando que a parceria estabelecida com a Fiocruz e o Instituto Butantã, que pesquisam duas experiências de vacina, colocam a perspectiva de resolução definitiva do problema entre seis a dez anos.
Quanto às ações do Ministério com as centrais, acrescentou Padilha, terão desdobramento “em defesa da saúde dos trabalhadores, das mulheres, dos idosos, numa profunda relação de diálogo com o movimento sindical”.
Fonte: UGT – União Geral dos Trabalhadores