IA em esteira – Uma nova tecnologia em desenvolvimento na França propõe uma nova abordagem para a detecção precoce de doenças neurodegenerativas. Pesquisadores da Universidade de Caen trabalham no projeto Présage, que utiliza inteligência artificial aliada ao exercício físico para identificar sinais iniciais de Alzheimer e Parkinson antes que os sintomas se tornem perceptíveis.
Coordenado por Leslie Decker, o estudo parte do princípio de que essas doenças não afetam apenas funções cognitivas, como memória e raciocínio, mas também o controle motor. Com base nisso, a equipe criou um sistema capaz de avaliar simultaneamente o desempenho físico e mental dos participantes, ampliando a compreensão sobre o funcionamento cerebral.
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O equipamento desenvolvido se assemelha a uma esteira tradicional, mas incorpora tecnologias avançadas. Sensores de movimento, plataformas que medem a força dos passos e integração com ambientes virtuais por meio de óculos de realidade virtual fazem parte do sistema. Durante os testes, os participantes caminham enquanto executam tarefas cognitivas, como responder a estímulos visuais ou resolver exercícios simples de atenção e memória.
A esteira também permite ajustar variáveis como velocidade, inclinação e padrão de movimento das pernas, exigindo maior coordenação dos usuários. Ao mesmo tempo, são coletados dados detalhados sobre equilíbrio, tempo de resposta, ritmo da caminhada e distribuição de força no solo.
Essas informações são processadas por algoritmos que buscam identificar padrões associados a riscos neurológicos. A proposta é detectar alterações sutis, muitas vezes imperceptíveis no cotidiano, por meio da análise integrada de movimento e cognição.
Outro ponto investigado pelos pesquisadores é a chamada “reserva cognitiva”, que diz respeito à capacidade do cérebro de lidar com o envelhecimento ou compensar possíveis danos. A compreensão desse fator pode ajudar a prever como diferentes indivíduos reagem ao avanço de doenças degenerativas.
Os testes iniciais já foram realizados com cerca de 100 participantes, com idades entre 55 e 87 anos. Parte desse grupo apresentou indícios da síndrome de risco cognitivo-motor, considerada um possível sinal precoce de comprometimento neurológico mais grave.
Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em fase experimental. Os pesquisadores destacam a necessidade de validação em grupos maiores antes que o sistema possa ser adotado na prática clínica. A expectativa é que, no futuro, a ferramenta contribua tanto para a detecção precoce quanto para o monitoramento da progressão de doenças como Alzheimer e Parkinson.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/creativeart)












