A pedido do Ministério Público do Trabalho, por meio da procuradora regional do trabalho, Dra. Laura Martins Maia de Andrade, a partir da reunião de conciliação realizada entre o sindicato patronal (Seprosp) e o Sindicato dos trabalhadores (sindpd), nesta sexta-feira, 18, o Sindpd adiou o início da paralisação da categoria para próxima terça-feira (22), quando será feita uma nova audiência com o objetivo de chegar a um acordo.
O presidente do Sindpd, Antonio Neto, ressaltou que a reunião desta sexta-feira, 18, foi positiva. "Nós levamos todos os elementos que sustentam e justificam as nossas reivindicações, como o aumento real de salário, o vale refeição, a obrigatoriedade da PLR e a ampliação dos pisos. Mostramos que o nosso movimento extrapola as reivindicações econômicas e buscam também combater a precarização dos direitos trabalhistas através do uso de PJs e outras formas ilegais de contratação", disse.
Ainda de acordo com Neto, a procuradora, após analisar as informações repassadas por ambos os lados, deverá apresentar uma proposta de índice que leve em consideração o crescimento do setor, mas já adiantou que a PLR é um direito constitucional e uma obrigação da empresa e que o vale refeição é fundamental para os trabalhadores.
Segundo ainda reporta o Sindpd, a Dra. Laura Martins Maia de Andrade, destacou que todas as categorias tiveram um aumento real de salário entre 1,5% a 3%, dependendo do setor, o que não ocorre na negociação com a categoria de TI. "INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) não é aumento, é reajuste da inflação. O trabalhador sofre com os aumentos inflacionários. A alimentação tem um peso enorme", declarou a procuradora.
Com relação ao Plano de Participação de Lucros (PLR), a procuradora destacou o Artigo 7º da Constituição Federal, parágrafo XI, no qual define que "são direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei". A procuradora reitera "a PLR está dentro da lei, é um direito inalienável".
Ainda sobre as reivindicações dos trabalhadores, a conciliadora propôs uma solução para que seja possível a aplicação de benefícios para a categoria. "Sugiro a manutenção dos pisos existentes e a inserção de reajuste [nos pisos], bem como um vale refeição adequado para atender a média de interesse. E podemos avançar na PLR também", completa.
Com a postura do Ministério Público, o Sinpd decidiu exaurir as possibilidades de negociação e suspendeu qualquer movimento grevista até terça-feira, 22, como solicitado pela procuradora, mas o estado de greve está mantido. "É importante que os companheiros tenham claro que, no caso de uma ação judicial, é fundamental ficar comprovado que os trabalhadores estão tentando de tudo para chegar a um acordo", reforça o presidente do Sindpd.
*Com informações do Sindpd