A presidente Dilma Rousseff ampliou a vantagem sobre a oposição e venceria a eleição no primeiro turno, se a disputa fosse hoje, segundo o último Ibope. Nem por isso a presidente pode afrouxar a vigilância e desmobilizar a campanha: a mesma pesquisa registra acentuado desejo de mudança nas políticas governamentais, o que anima seus adversários e mantém acesa a chama do "Volta, Lula" em setores do PT e aliados.
No momento, as maiores dificuldades para Dilma não estão no PSDB, PSB ou o Rede Sustentabilidade, mas no PT e partidos aliados. No ditado popular, a presidente dorme com o inimigo. Por mais que Lula diga que não será candidato, a ideia resiste incentivada por setores próximos do ex-presidente, no PT, e por setores do PMDB que perderam espaço na transição entre os governos Lula e Dilma, especialmente no Senado.
A cúpula do PMDB, por exemplo, tem como líquido e certo que o PT troca de candidato, ao menor sinal de fragilidade da recandidatura. É curioso como nos dois maiores partidos da aliança este sinal tem os mesmos dígitos: 35% nas pesquisas. E há torcida, à exceção do vice-presidente Michel Temer, o principal interessado, no partido, na reedição da chapa.
O que leva o PMDB a imaginar que Lula concorde com a eventual mudança da candidata? As atitudes do próprio Lula. As reuniões que o ex-presidente costuma realizar em São Paulo, para discutir conjuntura, passam um sinal trocado, que se torna mais nítido quando Lula é flagrado em articulações com um Congresso controlado pelos pemedebistas para votar e aprovar um projeto de autonomia do Banco Central. É um descuido imperdoável. Apenas desgasta a autoridade de Dilma.
Dilma tem que se preocupar com o fogo amigo. Mas também procurar entender por que quase dois terços do eleitorado (62%) são favoráveis a mudanças. É ruim para Dilma, mas também para os presenciáveis do PSDB e do PSB, Aécio Neves e Eduardo Campos, respectivamente, porque existe um sentimento favorável a mudanças na sociedade, mas oposição não consegue se beneficiar da situação. Por enquanto é um contingente que vota com a presidente, mas que pode mudar.












