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Em 1996, quando se decidiu pela privatização do segmento, a malha ferroviária nacional rendia um prejuízo anual de US$ 1 bilhão aos cofres do governo federal. Impactado por duas décadas de baixo investimento, o modal estava praticamente paralisado. Pouco antes do primeiro leilão de concessão ao setor privado, a rede ferroviária tinha desativado convênio técnico com o Senai para a formação de profissionais no transporte ferroviário de cargas. Em um primeiro momento, entre 1997 e 2000, quando as concessionárias começavam a investir e modernizar as linhas férreas, mão de obra especializada não era um problema tão premente, porque muitas ferrovias demitido funcionários.

"Até 2000, conseguia-se contratar pessoal entre os que foram demitidos, mas de 2001 em diante a demanda foi se aquecendo e foi crescendo o grande desafio de formar gente para trabalhar na operação", diz Felix Lopes, diretor de recursos humanos da concessionária MRS Logística. Em 2001, a empresa rediscutiu convênio com o Senai e criou a Academia MRS, para formação tanto de funcionários para a operação quanto de engenheiros e gerentes. Segundo ele, hoje a concessionária obtém 20% de sua demanda no mercado e 80% forma internamente. A maior dificuldade é obter pessoal técnico como maquinistas, mantenedores de vias e mecânicos de vagões. Desde 2001, a empresa formou mais de 1.300 técnicos operacionais.

Com o crescimento da demanda previsto para os próximos anos, a MRS também está formando engenheiros ferroviários, uma profissão que, com a paralisia do setor ferroviário até o fim da década de 1990, tinha ficado à margem. Em 2011, a concessionária criou o programa "Jovem Engenheiro", com foco em recém formados dos cursos de engenharia que recebem qualificação para trabalharem na malha operada pela empresa. "É o primeiro ano que focamos nesses jovens engenheiros, porque teremos demanda nos próximos anos", afirma. A primeira turma tem 15 participantes.

Outras empresas que atuam no setor como a Vale e a ALL também mantêm programas de formação de profissionais especializados, uma forma de aumentar a competitividade das malhas operadas por elas. A Vale oferece um curso de operação ferroviária, cujo objetivo é formar profissionais ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Em 2010, foram treinados mais de 3.000 técnicas nos Estados onde a empresa atua. O curso é composto de duas fases: uma teórica e outra prática. A ALL em diversos programas voltados à capacitação profissional, um deles é o de formação de engenheiros.

Segundo dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), em 1997, o número de empregos diretos e indiretos no segmento estava em cerca de 16.500. Em 2010, ele pulou 120% para pouco mais de 36 mil e deve chegar a 44 mil em 2011. A necessidade de formação de mão de obra especializada não se concentra apenas nas concessionárias, que operam os 29 mil km de estradas de ferro no Brasil, mas os fornecedores de máquinas e equipamentos, que preveem uma década de ouro. Estima-se que a fabricação de vagões chegue a 40 mil até 2019. "A formação de pessoal capacitado é algo em que as indústrias estão investindo cada vez mais", diz Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer).

Fabricante de bens de capital para o setor, a AmstedMaxion criou neste ano o MBRail Ferroviário, voltado aos funcionários das duas unidades da empresa, em Cruzeiro e Hortolândia. Desenvolvido pelo Centro de Estudos e Pesquisas Ferroviárias (CEPEFER), o curso teve início em fevereiro, tem duração de 18 meses e será certificado pela Universidade Positivo. A turma inicial, com 30 alunos, terá aulas ministradas na unidade de Hortolândia, onde são feitas a produção e montagem dos vagões. Os alunos foram selecionados pela empresa seguindo critérios como formação profissional, área de atuação e desempenho profissional. "Queremos ter pessoas mais bem preparadas para atuar no segmento e, desde 2010, com a retomada do setor, a demanda por engenheiros e técnicos tem crescido e deve continuar nessa década", diz o presidente da empresa, Ricardo Chuahy. A empresa reestruturou seu programa de trainees neste. "As exigências estão maiores e está sendo dado um maior preparo ao recém formado", diz Chuahy. A iniciativa contempla um intercâmbio em que o trainee viaja para os EUA, sede da empresa.

Fonte: Valor Econômico.

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