Desigualdade de gênero – A presença feminina na área de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil ainda está longe da paridade. De acordo com o estudo W-Tech 2025, divulgado pelo Softex em março de 2026, mulheres representam apenas 19,2% dos especialistas no setor. O levantamento indica que o país precisaria inserir mais de 53 mil novas profissionais por ano para alcançar equilíbrio de gênero até 2030.
O cenário revela um desafio que ultrapassa o debate sobre diversidade e inclusão e passa a impactar diretamente a competitividade e a capacidade de inovação das empresas brasileiras. Para gestores e lideranças, os dados funcionam como um alerta sobre a escassez de talentos em um mercado estratégico.
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A pesquisa analisou o mercado de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e mostrou que, embora as mulheres ocupem 34,2% das posições gerais no setor, a presença diminui significativamente em cargos técnicos e de maior especialização. Em funções de liderança, como diretoria e gerência, elas representam 34,1%, um avanço de apenas 1,6 ponto percentual entre 2019 e 2024.
Desigualdade compromete inovação e crescimento
A baixa participação feminina se torna ainda mais crítica quando observada nas áreas com maior potencial de crescimento até 2030, como Inteligência Artificial, Big Data, FinTech, Desenvolvimento de Software e Cibersegurança. São justamente esses segmentos que concentram menor presença de mulheres.
Dados complementares da Associação Brasileira das Empresas de Software indicam que a participação feminina na força de trabalho em tecnologia varia entre 20% e 25%, com índices ainda menores em posições técnicas avançadas.
Liderança feminina avança, mas em ritmo lento
Entre os cargos estratégicos, a desigualdade também é evidente. Apenas 20,2% das posições de CTO (Chief Technology Officer) são ocupadas por mulheres no Brasil. Além disso, há disparidade nos processos de promoção: para cada 100 homens que avançam a cargos gerenciais, apenas 87 mulheres conseguem a mesma progressão.
Esse descompasso representa não apenas um problema de equidade, mas também perda de potencial inovador. Estudos internacionais apontam que empresas com maior diversidade de gênero em posições de liderança tendem a apresentar melhores resultados financeiros e maior capacidade de inovação.
Impacto direto nos negócios
A sub-representação feminina em TI tem reflexos diretos no desempenho das empresas. Equipes diversas contribuem com diferentes perspectivas, fundamentais para o desenvolvimento de soluções tecnológicas mais completas e aderentes a uma base ampla de usuários.
Em áreas como Cibersegurança, por exemplo, a falta de diversidade pode limitar a identificação de vulnerabilidades. Já no campo da Inteligência Artificial, equipes homogêneas aumentam o risco de vieses algorítmicos, capazes de perpetuar discriminações.
Barreiras começam na formação
O estudo aponta que o problema tem origem ainda na educação. Cursos de tecnologia no Brasil seguem com baixa participação feminina, o que impacta diretamente a entrada dessas profissionais no mercado.
Fatores como ausência de referências femininas, viés inconsciente em processos seletivos, falta de políticas de retenção e ambientes corporativos pouco inclusivos contribuem para a dificuldade de ingresso, permanência e ascensão das mulheres na área.
Setor enfrenta escassez de talentos
O relatório destaca cinco áreas críticas para o futuro do emprego em tecnologia: Inteligência Artificial, Big Data, FinTech, Desenvolvimento de Software e Cibersegurança. A demanda por profissionais qualificados nesses segmentos já supera a oferta disponível.
Nesse contexto, a baixa participação feminina intensifica o déficit de mão de obra e amplia os desafios enfrentados pelas empresas para preencher posições estratégicas.
Mudança exige ação estruturada
Para reverter o cenário, o estudo aponta a necessidade de ações estruturais e contínuas. Entre as medidas estão o investimento em formação, políticas de recrutamento inclusivas, ambientes de trabalho mais acolhedores e metas claras de diversidade vinculadas ao desempenho das organizações.
Empresas do setor já iniciam movimentos nesse sentido, com programas de mentoria, desenvolvimento de carreira, flexibilização do trabalho e revisão de processos internos para reduzir vieses.
Os dados do W-Tech 2025 reforçam que a transformação digital no Brasil depende diretamente da ampliação da participação feminina na tecnologia. Mais do que uma pauta social, a diversidade se consolida como um fator estratégico para inovação e competitividade.
(Com informações de IT Fórum)
(Foto: Reprodução/Freepik/DC Studio)












