A Comissão da Reforma Política do Senado aprovou na tarde desta terça-feira, 5, financiamento público exclusivo para as campanhas eleitorais, conforme tese defendida pelo PT e pelo PCdoB. A manutenção do sistema atual que conjuga financiamento público e privado foi derrotada por 12 votos a cinco. Foi a segunda vitória consecutiva dos petistas na comissão.
"Vocês nunca viram um presidente de comissão sair tão derrotado das votações", brincou o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), no final da reunião. Dornelles, os tucanos Aécio Neves (MG) e Aloysio Nunes (SP), além de Roberto Requião (PMDB-PR) e Fernando Collor (PTB-AL) votaram pela manutenção do sistema atual, que conjuga financiamento público e privado.
PT e PCdoB articulam a aprovação do sistema de voto em lista partidária fechada, combinado com o financiamento público das campanhas. Na semana passada, o colegiado aprovou, por nove votos contra sete, a adoção do voto proporcional com lista fechada nas próximas eleições. A bancada tucana prometeu apresentar emenda para defender o voto distrital misto, com lista aberta (para os representantes dos distritos) e fechada (elaborada pelos partidos), quando a reforma chegar ao plenário do Senado.
Diante da nova derrota, Aécio recomendou prudência ante o "ritmo vigoroso" dos trabalhos da comissão, que conclui as votações no próximo dia 8. "Não podemos gerar expectativa", disse o tucano, já que o relatório final da comissão ainda será avaliado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pelo plenário do Senado. Segundo o mineiro, a vantagem da comissão é construir um mínimo de consenso sobre os temas da reforma.