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A abertura do ano letivo na rede estadual de educação deveria ter acontecido ontem simultaneamente nas 720 escolas estaduais. Entretanto, falhas no novo modelo de gestão escolar, o SIGeduca (Sistema Integrado de Gestão Educacional), obrigou as escolas a trabalhar durante o final de semana fazendo a atribuição de aulas manualmente. Mesmo assim algumas não concluíram esse procedimento.

Além disso, faltaram professores para preencher vagas em muitas disciplinas, o que deve deixar os alunos sem aulas pelos próximos dias. Também ocorrem problemas de infraestrutura, como a falta de energia nas salas de aula da Escola Estadual Estevão Alves Corrêa, do Setor II, do bairro Tijucal, em Cuiabá.

Nesta escola, a previsão é de que o ano letivo só comece na próxima segunda-feira, dia 21, com uma semana de atraso (ver matéria). Em outras escolas, como na Agenor Ferreira Leão, também no Tijucal, faltam professores para diversas disciplinas.

O diretor da Escola Agenor Ferreira, Edson Evangelista Santos, reclamou que nos últimos dias os professores tiveram de trabalhar até a madrugada incluindo dados no SIGeduca para fechar o ano letivo de 2010. O novo sistema, disse, não suportava a carga de acessos e a quantidade de informações inseridas. Cai exatamente na hora da confirmação dos dados, obrigando o professor a recomeçar do zero.

Como o governo do Estado chamou apenas metade dos aprovados no último concurso público, agora está sendo obrigado a fazer contratações interinas para preencher mais de 2,5 mil vagas. Na escola onde Edson Santos é diretor, por exemplo, o ano letivo começou com apenas quatro professores efetivos, o que representa mesmo de um quatro dos profissionais necessários. Santos disse que ontem e hoje os alunos tiveram aulas, mas na quinta e na sexta-feira terá de dispensá-los por falta de professores.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep), Gilmar Soares Ferreira, disse que entre as contrações estão casos de professores que atuam como interinos há 10 ou mais anos e foram aprovados no último concurso, mas terão que renovar vínculo como temporários. Ano passado, lembrou Ferreira, o ano letivo começou uma semana antes, no dia 8 de fevereiro. Este ano, mesmo adiando a abertura por uma semana, a Seduc não conseguiu solucionar questões consideradas simples dentro da gestão escolas, como a transferência de alunos.

O SIGeduca não aceita, por exemplo, disse o sindicalista, que um aluno que confirmou matrícula faça opção por outra unidade escolar, que mude para aquela que era sua prioridade onde só conseguiu vaga no último instante.

OUTRO LADO – O secretário-adjunto de Gestão de Pessoas da Seduc, Paulo Henrique Leite de Oliveira, admitiu o problema no SIGeduca e disse que a falha está sendo resolvido. No entanto, ele afirmou que as escolas têm condições de iniciar suas aulas mesmo com a lentidão do sistema. “As escolas podem fazer os trabalhos manualmente enquanto o SIGeduca estiver apresentando falhas. Caso surja alguma dúvida, os diretores devem procurar a assessoria pedagógica da Seduc”.

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