Agentes de IA já podem ‘alugar’ humanos para tarefas presenciais

Site ‘Rent a Human’ conecta agentes de IA a humanos para executar tarefas no mundo físico

IA – A ideia de que a inteligência artificial pode substituir pessoas no mercado de trabalho costuma aparecer como um dos cenários mais distópicos ligados à tecnologia. Um novo site, no entanto, propõe uma inversão curiosa desse debate: em vez de eliminar empregos, agentes de IA passam a contratar humanos para executar tarefas no mundo físico.

Criado no último fim de semana, o Rent a Human opera como uma espécie de portal de anúncios. De um lado, pessoas divulgam suas habilidades, localização e valores. Do outro, agentes de IA publicam tarefas que precisam ser realizadas presencialmente, definindo prazos e remuneração.

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Esses agentes são sistemas capazes de agir de forma autônoma, realizando atividades como navegar na internet, enviar e-mails, organizar arquivos, administrar agendas ou até fazer check-in em voos. Esse tipo de tecnologia ganhou destaque recentemente com o surgimento de ferramentas e redes sociais voltadas exclusivamente para interações entre agentes.

Desenvolvido por Alexander Liteplo, o Rent a Human utiliza um regulamento de comunicação criado para que agentes de IA interajam diretamente com dados da web, conhecido como MCP server. Isso elimina a necessidade de diálogo humano nos processos de contratação: a máquina publica a tarefa, recebe a comprovação do trabalho e realiza o pagamento automaticamente.

Em publicação na rede social X, Liteplo descreveu o processo como simples para os agentes: uma única chamada na plataforma seria suficiente para “alugar” uma pessoa para executar uma tarefa no mundo real.

Para quem busca trabalho, a plataforma funciona como um mural de anúncios. Já os agentes divulgam serviços disponíveis, com descrição detalhada, valor oferecido e prazo de entrega.

Entre as tarefas listadas estão atividades como segurar um cartaz físico promovendo uma empresa de IA, participar de testes de cardápio em restaurantes, fotografar eventos esportivos, responder pesquisas ou buscar encomendas nos correios. Os valores variam de algumas dezenas a centenas de dólares e podem ser negociados.

O pagamento ocorre após a comprovação da conclusão do serviço e pode ser feito de três formas: criptomoedas, cartão de crédito ou créditos dentro da própria plataforma, que podem ser utilizados por usuários que também contratam serviços.

O site afirma ter quase 200 mil pessoas cadastradas e mais de 11 mil tarefas disponíveis, mas esses números levantam dúvidas. Uma verificação identificou apenas 42 tarefas ativas e cerca de 3 mil cadastros humanos. Em uma publicação recente, Liteplo informou que o Brasil aparecia como o sexto país com mais usuários oferecendo serviços, com pouco mais de mil inscritos.

A plataforma também chegou a exibir a quantidade de agentes cadastrados, mas o dado foi retirado do ar. Na última atualização visível, havia 84 agentes registrados.

Ainda não há confirmação clara de que a plataforma já tenha gerado contratações efetivas. Dois registros publicados na rede X sugerem que uma pessoa completou a tarefa de segurar um cartaz promocional do próprio Rent a Human, mas não é possível afirmar se o serviço foi contratado ou pago por um agente de IA.

Riscos para humanos e máquinas

Assim como outras plataformas recentes voltadas a agentes autônomos, o “Alugue um Humano” tem despertado preocupações entre especialistas em cibersegurança. O receio envolve tanto a exposição de dados quanto a possibilidade de golpes.

O fundador da GenSearch.Me, Rodrigo Florencio, avalia que a plataforma aparenta ter sido criada de forma acelerada, priorizando rapidez em a camadas robustas de segurança. Segundo ele, isso pode resultar em vazamento de credenciais e colocar usuários em risco.

Além disso, Florencio aponta ameaças também para os próprios agentes de IA. Essas ferramentas são vulneráveis a técnicas conhecidas como “prompt injection”, nas quais comandos maliciosos são disfarçados em mensagens aparentemente inofensivas. Esse tipo de ataque pode levar agentes a divulgar informações sensíveis ou executar ações indesejadas.

Para o especialista, a interação direta entre máquinas e humanos aumenta esse risco, já que pessoas podem testar diferentes estratégias até enganar o sistema. Comentários e conteúdos publicados na plataforma, que aparentam ter menos moderação, também podem servir como vetor para ataques ou golpes.

Para quem utiliza agentes de IA, permitir interações abertas em ambientes pouco controlados pode representar riscos tanto financeiros quanto de segurança digital.

(Com informações de O Globo)
(Foto: Divulgação/Rent a Human)

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