Uma falha no edital de licitação da Arena Pantanal é a responsável pela suspensão dos pagamentos do Consórcio Santa Bárbara/Mendes Júnior, que está sem receber pelas obras desde novembro. A explicação é da diretoria de Infraestrutura da Agecopa.
Na sexta medição realizada pela construtora, no mês de setembro, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) questionou sobre a criação de um “eventograma”. A agência afirma que, antes do Carnaval, os pagamentos serão retomados, após fazer um acréscimo no contrato.
O diretor de Infraestrutura da Agecopa, Carlos Brito, disse que, em maio, segundo mês após o lançamento da obra, a agência percebeu que o cronograma apresentado no contrato não era “cabível”, que “não reproduzia a realidade da obra”. “Uma gerenciadora apontou o erro e sugeriu o eventograma para garantir a sequência da obra”.
O “eventograma”, de acordo com o diretor, é um detalhamento da planilha, que visa mais controle no serviço realizado e nos insumos utilizados. Ou seja, a criação de um novo cronograma físico/financeiro.
Na sétima medição, um mês após a descoberta do TCE, os pagamentos foram suspensos. “Estamos seguindo o contrato, que foi baseado no edital de licitação. A Agecopa não acrescentou nem tirou nada do que estava no contrato”.
Ele afirma que a arena multiuso será entregue em dezembro de 2012, prazo exigido pela Fifa. “As obras não pararam por causa disso. Ela diminuiu o ritmo, mas não foi pelo não pagamento. O motivo é esse excesso de chuva do começo de ano”.
Brito disse que um “aditivo” será colocado no contrato, que tornará desnecessário o eventograma. Esse aditivo está sendo analisado pela Auditoria do Estado e será repassado para o TCE. Após aprovação, o pagamento será retomado.
O diretor admitiu que houve um acréscimo na obra em R$ 12,6 milhões. O motivo foi o subsolo. Água dos vários anos de existência do antigo Verdão “aflorou” abaixo do concreto que sustenta a obra.
Por causa dessa descoberta, Brito disse que foi mudada a forma de sustentação da obra. “Ao invés de nós colocarmos 396 estacas-raiz e 500 blocos (de concreto), tivemos que modificar isso. Os blocos foram para as áreas em que não havia água e substituímos as estacas-raiz por 1,8 mil estacas-hélice”. Caso não fosse feita essa modificação, o diretor disse que a cobertura do estádio (responsável por 40% dos R$ 342 milhões da obra) ficaria comprometida.
“A Procuradoria Geral do Estado aprovou a mudança, que não vai aumentar o preço total do estádio”. Essa foi uma das modificações que não estavam no cronograma da obra.
Além desse ponto, a Agecopa estima outra modificação que não estava no projeto. A Fifa exigiu que as placas de publicidade em torno do campo sejam aumentadas em 10 centímetros. “Isso quer dizer que vamos ter que aumentar a altura das cadeiras, para que o público que fica embaixo na fila possa enxergar o jogo”.