Após muitas polêmicas e alterações envolvendo o modal de transporte a ser adotado para o evento e a estrutura da Secretaria Extraordinária da Copa (Secopa), além das decisões tomadas pela pasta que refletiram de maneira negativa frente à classe política e sociedade civil, a previsão é que as obras comecem a sair efetivamente do papel este ano.
Deputados estaduais prometem ficar atentos aos processos licitatórios e o cumprimento do cronograma de execução dos serviços.
Ezequiel Fonseca (PP) acredita que o assunto será a pauta do ano principalmente porque as obras irão ocasionar grandes impactos no trânsito de Cuiabá e Várzea Grande, e, consequentemente, transtornos de igual magnitude. “Vamos acompanhar de perto a questão, afinal, não podemos esperar mais”, diz.
Zeca Viana (PDT) critica o atraso para o início das intervenções e a forma como os trabalhos estão sendo conduzidos pela Secopa. “Está havendo muito desgaste político e perda de tempo com correções de erros. O tempo está passando e temos muito a fazer. Se não corrermos, a Copa vai acabar deixando dívida como legado para Mato Grosso”, avalia.
O parlamentar vai além e afirma que foi um erro o Estado ter aceitado o desafio de realizar o evento. “A maneira como as coisas estão sendo conduzidas está errada. Praticamente todo o dinheiro recebido é para as obras e poucas estão sendo feitas”.
Percival Muniz (PPS) aposta que o assunto irá render muitas discussões no Parlamento Estadual e que mais denúncias virão à tona. “As obras estarão em processo de licitação e contratação e isso vai repercutir muito”.
Líder do governo na Assembleia, o deputado Romoaldo Júnior (PMDB) acredita que a reforma administrativa promovida pelo governador Silval Barbosa (PMDB) dará o tom dos debates iniciais promovidos pela Assembleia. Segundo ele, a equipe econômica do Estado já se reuniu com o chefe do Executivo e deve apresentar logo no início do ano proposta para atingir as metas estabelecidas. “O governo vai começar o ano falando em ajustes, reforma e enxugamento da máquina e isso com certeza irá refletir no Parlamento”.
O vencimento do mandato da presidente da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso (Ager-MT), Márcia Vandoni, em abril, também acenderá os debates. Romoaldo afirma que o governo irá defender a permanência da gestora no cargo, mas alguns deputados, como Emanuel Pinheiro (PR) e Dilmar Dal’ Bosco (DEM), querem sua substituição. O republicano tem sido o maior crítico dos trabalhos desenvolvidos pela presidente da autarquia e cobrou sua saída em diversas oportunidades no ano passado. “Recomendo que o governo tenha cautela na indicação de um novo nome para a presidência da Ager, para não colocar mais um ditador no comando da autarquia”, disse, em clara referência à Márcia Vandoni.
As eleições municipais também deverão influenciar os debates na Casa de Leis. Romoaldo Junior admite que a “temperatura poderá subir” por conta das naturais desavenças que o cenário eleitoral pode causar. A mesma preocupação é demonstrada por Percival Muniz. O socialista alerta, inclusive, para o risco de o processo gerar estremecimento na relação entre os partidos que compõem a base aliada do governador, o que, consequentemente, poderá gerar efeitos negativos em sua gestão.
A criação da Agência Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá e a continuidade da política de contratação de Organizações Sociais de Saúde (OSSs) para administrar unidades de saúde do Estado também serão incluídas na pauta de discussões.












