Bancários de Mato Grosso aprovaram ontem em assembleia as propostas apresentadas pelos bancos e resolveram pôr fim à greve, que atingiu mais de 160 agências do Estado. O atendimento recomeça hoje. Apenas os trabalhadores do Banco da Amazônia (Basa) seguem paralisados porque, segundo o presidente do sindicato da categoria, Arilson da Silva, não houve seriedade por parte da instituição quanto às pautas específicas durante as negociações. Os bancários ficaram em greve por 21 dias, considerada uma das paralisações mais extensas dos últimos tempos.

As propostas feitas aos trabalhadores pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foram acordadas na última sexta-feira em São Paulo, com ganhos financeiros à categoria. Porém, o item segurança, uma das principais reivindicações, ainda deixou a desejar. “Nós conseguimos debater segurança pela primeira vez, porém não alguns ganhos, como instalação de portas com detector de metais e blindadas. Não conseguimos também que haja biombos em agências de todo o Estado”, pontuou Arilson. Porém, o assunto agora será tratado trimestralmente entre bancos e trabalhadores por meio da Confederação Nacional de Trabalhadores em Empresas Financeiras.

Durante a assembleia, foram avaliadas propostas para os bancários de bancos privados e do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Os ganhos com o movimento, conforme Arilson, foram, em sua maioria, de valorização profissional. A Caixa, por exemplo, comprometeu-se em criar 5 mil novos postos de trabalho no país. Segundo o sindicalista, 35% dos municípios brasileiros não têm agências bancárias. “Vamos brigar para que esse contingente venha para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste”, completou Arilson.

Os destaques da proposta aceita pelos bancários são reajuste salarial de 9% (correspondendo a um aumento real de 1,5%), valorização do piso da categoria, que passaria a ser de R$ 1.400 (aumento real de 4,3%), e melhorias na PLR, com aumento da parcela fixa da regra básica para R$ 1.400 (reajuste de 27,2%) e do teto da parcela adicional para R$ 2.800 (reajuste de 16,7%). E ainda cláusula que coíbe o transporte de numerário por bancários e o fim da divulgação de rankings individuais dos funcionários, combatendo o assédio moral. Mato Grosso tem 4,5 mil bancários.

Para Arilson, a greve cumpriu seu papel. “Foi uma greve longa, mas com resultados, sobretudo quanto à valorização profissional. Voltamos também por conta da responsabilidade com a sociedade”. Quanto aos trabalhadores do Banco da Amazônia, que dispõe cerca de 10 agências em Mato Grosso espalhadas nas cidades-polo, o sindicalista informou que o sindicato segue apoiando o movimento e contribuindo para que as negociações avancem “amanhã (hoje) mesmo”.

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