Terminada a greve dos correios, os funcionários irão trabalhar além do horário normal, sábados e domingos para pagar pelos dias de mobilização e concluir as entregas de 2,5 milhões de encomendas pendentes em Mato Grosso, o que deve ser feito em 15 dias. Apesar dos funcionários terem retornado ao trabalho ontem de manhã, a categoria permanece em estado de greve para o caso de haver retaliações.

De acordo com o sindicato dos servidores dos Correios, os trabalhadores estão indignados com o desfecho da greve justamente porque terão descontos salariais e expedientes extras para reposição dos 28 dias de greve. Ontem de manhã, às 7h, foi realizada a assembleia geral da categoria. Poucos estavam presentes porque a maioria foi direto assumir os postos de trabalho nos Correios, conforme a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em dissídio coletivo de terça-feira.

A categoria decidiu que repudia as propostas do TST e mantém estado de greve. Se algum trabalhador sofrer retaliação dos patrões/empresa, paralisam novamente, correndo o risco, inclusive, de pagar a multa diária de R$ 50 mil. “Já sofremos retaliações demais durante a greve”, afirmou o presidente Francisco Adão, em relação à imposição de pagamento dos dias que ficaram sem trabalhar. Apesar da revolta sobre isso, segundo o presidente, estão satisfeitos com as determinações referentes às cláusulas econômicas: “são melhores do que as propostas da empresa”, disse o presidente.

De acordo com o diretor Regional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Nilton Nascimento, só Cuiabá e Várzea Grande tiveram um acúmulo de 1,5 milhões de correspondências. Ele informou que, além dos sábados e domingos de reposição que foram definidos pelo TST, os empregados da ECT também irão prolongar o expediente diário em duas horas durante os 15 dias, mas receberão hora-extra para isso. De acordo com Nilton, as correspondências urgentes foram entregues normalmente durante a greve.

Segundo o diretor regional, assim que for concluída a entrega das correspondências atrasadas, os trabalhadores irão pagar pelos dias parados quando houver algum problema esporádico que culmine no acúmulo de correspondências. Ou seja, quando chover ou alguma aeronave tiver problemas, por exemplo, e o serviço atrasar.

Uma das reivindicações não aprovadas durante a greve dos Correios foi a exigência de que as entregas fossem realizadas apenas pela manhã. De acordo com Nilton, isso é algo que demanda um estudo em todo o país e uma transformação imensa na logística da empresa, ou seja, é algo que não pode ser feito rapidamente.

Com o dissídio coletivo os trabalhadores dos Correios conseguiram um aumento linear de R$ 80, a partir de outubro; reajuste salarial de 6,87 retroativos a agosto; aumento no ticket alimentação de R$ 23,50 para R$ 25 por folha de pagamento; aumento de R$ 11 no “vale cesta”, que passará a valer R$ 140, e um vale alimentação-extra de R$ 575 a ser pago no final do ano, em dezembro.

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