O Aeroporto Internacional de Cuiabá Marechal Rondon, localizado em Várzea Grande, é novamente citado como parte do grupo que corre o risco de não ter a ampliação concluída em tempo de atender a Copa 2014. Ele aparece em lista com outros nove aeroportos de cidades-sede do mundial que estão em situação considerada preocupante pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. O órgão realizou o levantamento “Aeroportos no Brasil: investimentos recentes, perspectivas e preocupações”.
“Toda obra de infraestrutura de grande porte no Brasil deve cumprir uma série de etapas até sua finalização. Inicialmente, há a elaboração do projeto, seguida da liberação da licença ambiental por parte do Ibama, da aprovação do TCU quanto à adequação de custos, da licitação e, finalmente, das obras”, trouxe a nota técnica assinada pelos pesquisadores Carlos Alvares da Silva Campos Neto e Frederico Hartmann de Souza.
“As obras nos terminais dos aeroportos de Manaus-AM, Fortaleza-CE, Brasília-DF, Guarulhos-SP, Salvador-BA, Campinas-SP e Cuiabá-MT, por estarem na etapa de elaboração de projeto, deverão levar em torno 92 meses, ou mais de sete anos e meio para suas conclusões. Logo, não estariam prontas até a Copa de 2014”, destaca.
Além do alerta, o levantamento aponta que o Marechal Rondon opera acima da capacidade e mesmo com as obras de ampliação previstas para o evento esportivo, não conseguirá atender a demanda crescente. De acordo com a nota técnica, o movimento de passageiros no aeroporto de Cuiabá, previsto para 2014, é de 3,1 milhões por ano, mas a capacidade fica em 2,8 milhões, o que representa operar com taxa de ocupação de 111,6%.
O Ipea conclui que apesar de insuficiente, a Infraero possui um plano de investimentos de R$ 1,4 bilhão ao ano (entre 2011 e 2014) para os 13 aeroportos brasileiros. Representando mais do triplo da média anual investida entre 2003 e 2010 pela empresa (R$ 430 milhões). “Porém, preocupa a baixa eficiência na execução dos programas de investimentos, que, na média do período, realizou apenas 44% dos recursos previstos. Isso aponta para a necessidade de inadiável aprimoramento na gestão empresarial da Infraero”, aconselha.
OUTRO LADO – A Infraero limitou-se a responder, por meio de nota da assessoria de imprensa, que a empresa está ciente do crescimento atual da demanda do setor, disse ainda que o planejamento da empresa já está em andamento e visa prover os aeroportos de infraestrutura adequada para atender a demanda gerada por eventos pontuais, como a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016, além daquela projetada para o setor aéreo brasileiro.