Depois de 30 dias, a greve na rede estadual de ensino chegou ao fim com sentimento de frustração entre os trabalhadores. A partir de hoje, as escolas voltam a funcionar normalmente em todos os municípios.
Além do não atendimento das principais reivindicações, como piso salarial de R$ 1.312 e pagamento de hora-atividade para os interinos, os professores se viram obrigados a voltar ao trabalho por conta do enfraquecimento da paralisação.
A decisão da Justiça que considerou a greve ilegal – e determinou o corte de ponto – fez com que os professores voltassem à sala de aula mesmo antes da votação do retorno em assembléia, contrariando o ato de aprovação da greve.
Uma parcela dos grevistas até tentou resistir permanecendo acampada na praça Ulisses Guimarães, na avenida Rubens de Mendonça (do CPA), a poucos metros do Palácio Paiaguás, sede do governo do Estado. A resistência não durou uma semana.
Ontem, em assembléia geral no ginásio da escola Presidente Médici, os resistentes aprovaram não o fim, mas a suspensão do movimento grevista até o final de agosto.
Nesse encontro, os professores não pouparam críticas à secretária estadual de Educação, professora Rosa Neide Sandes, e ao governador Silval Barbosa. Os dois, em fotos impressas em cartazes espalhados no ginásio, foram tachados de “traidores da Educação”. Também não faltaram acusações mútuas entre os próprios trabalhadores.
Em setembro os professores pretendem retornar às discussões, conforme compromisso assumido pelo governo do Estado, para verificar, dentro do orçamento da educação, a possibilidade de antecipação do pagamento do piso de dezembro para setembro.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sintep), Gilmar Soares Ferreira, disse que os professores aprovaram a manutenção do indicativo de greve para setembro, a produção de um manifesto e uma nota pública, além de uma carta de repúdio à Secretaria de Educação e vigília na Seduc e na Assembléia nos meses de agosto e de setembro.
CUIABÁ – Na rede municipal de ensino de Cuiabá, os professores também negociam reajuste salarial. Eles querem ganho real e não apenas os 6,5% de correção da inflação e do INPC determinados em lei. A data-base é julho, mas ainda não se fala em greve. No município, o professor que tem apenas o Magistério (nível médio) e trabalha 20 horas semanais recebe R$ 850. Para quem tem nível superior o piso é R$ 1.207.