Corrupção, promiscuidade entre os poderes e ignorância dos gestores. Esses são os motivos apontados por especialistas para as constantes instabilidades políticas que afetam os municípios no interior de Mato Grosso. Somente este ano, ao menos cinco deles contaram com criação de comissões processantes, saída de gestor por abuso de poder econômico e decisão judicial para afastamento do cargo.

Nesses seis primeiros meses do ano, os municípios de Alto Paraguai, Alto Boa Vista, Sorriso, Tangará da Serra e Várzea Grande apresentaram problemas políticos e administrativos relacionados à atuação do Executivo e do Legislativo. Professor e pesquisador em História, Suelme Fernandes aponta vários motivos para essas “oscilações” nas prefeituras.

Primeiramente, a manutenção de uma ligação corrupta entre os poderes. O professor destaca que há uma relação imoral entre alguns prefeitos e vereadores. “Tem caso que a comissão [processante] é criada porque a ‘merenda’ não foi paga”.

Quando existe essa quebra de relação, os vereadores, segundo ele, logo se movimentam para formular pedido de afastamento, como aconteceu em Alto Paraguai em que o prefeito Adair Moreira (PMDB) passou por isso ao se recusar a pagar um “mensalinho” de R$ 500 por vereador.

Em Sorriso, um caso semelhante aconteceu. O também peemedebista Chicão Bedin também foi extorquido, de acordo com gravações realizadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), por três vereadores, o que incluía propina, conserto de automóvel e anúncio de propaganda institucional na emissora de televisão local.

O segundo motivo para o afastamento do gestor seria o ato de improbidade administrativa, como aconteceu em Várzea Grande. “[Esse município] é o Brasil-Colônia, e não uma república. O que mantém ele é uma relação familiar e não democrática”.

Suelme disse que os sucessivos “golpes”, ou seja, vereadores assumindo o cargo do prefeito, é apenas um exemplo disso. “O sujo falando do mal lavado”.

Outro município que passa por instabilidade é Alto Boa Vista. Nesse caso, o professor lembra que o motivo dos problemas é a “ausência de Estado”, promovendo instabilidade. “É como se fosse faroeste, o Texas”. Alto Boa Vista teve o prefeito Aldecides Milhomem (DEM) retirado do cargo, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), por abuso de poder econômico na eleição de 2008.

Sobre Tangará da Serra, que também vivenciou (e vivencia) essa instabilidade, Suelme explica que “fugiu da regra”. O motivo seria o forte apelo social, já que houve uma pressão por parte da sociedade para o afastamento o prefeito Júlio César Ladeia (PR). “Foi um exemplo de processo democrático, diferente de Várzea Grande em que a sociedade não participou da decisão [saída do prefeito]”.

Em Tangará, o vice-prefeito José Jaconias da Silva (PT), que está à frente da prefeitura, também passa por investigação na Câmara – junto com Ladeia e outros vereadores – devido aos desvios dos recursos da saúde pela Oscip Idheas, que foi responsável pelo setor no município até 2010.

Na opinião dele, a reforma política que está tramitando no Congresso Nacional é a solução para todos esses problemas, porém, dificilmente ela sairá. “É a mesma coisa que mandar os réus fazerem o Código Penal”.

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