A desvalorização do dólar diante do real e a entrada de importados no Brasil ameaçam alguns setores da economia, como o de eletro-eletrônico e de os bens duráveis. O alerta foi feito pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, durante a divulgação da edição especial do Informe Conjuntural. Conforme o documento que faz um balanço da economia em 2010 e traça projeções para 2011, o dólar fraco e o aumento das importações podem reduzir o tamanho e a diversidade da indústria brasileira.
Segundo Andrade, a indústria brasileira vem perdendo espaço especialmente nos segmentos que sofrem mais diretamente com a concorrência internacional. “São setores importantes, com muitos investimentos em tecnologia, que desenvolvem mais inteligência, habituados à inovação constante, com mão de obra mais qualificada”, ressaltou Andrade.
Ele explicou que a perda de competitividade de setores com esse perfil tem reflexos muito negativos para o Brasil. “O país vai perdendo capacidade de inovar, de desenvolver tecnologias, que são fundamentais para que outras atividades econômicas possam crescer de forma mais competitiva.”
Por isso, o presidente da CNI defendeu medidas de curto prazo para conter a desvalorização do dólar, como a imposição de quarentena ou o aumento da tributação das aplicações de curto prazo com capital estrangeiro. Também disse que o pais deve promover mudanças que garantam a competitividade dos produtos brasileiros, como a reforma tributária, ampliação dos investimentos em infraestrutura, maior segurança jurídica para o investidor e mais recursos para financiamentos de longo prazo.
Ele destacou que o Brasil precisa adotar medidas de controle fiscal para contenção da inflação. “Não podemos fazer da taxa de juros a âncora da estabilidade.” Para Andrade, o país tem de combinar as medidas fiscais com as monetárias, gastando menos e melhor. Isso significa ampliar os investimentos e reduzir as despesas correntes. “Acredito que o próximo governo já entra com o desejo e vontade de cortar os gastos. Com certeza, a presidente Dilma Rousseff, que tem conhecimento de gestão e administração, vai implantar mecanismos para controlar os gastos”, disse Andrade.
A perspectiva da CNI é que ocorram contingenciamentos nas despesas orçamentárias previstas para 2011. Caso isso não ocorra, os gastos do governo voltarão a crescer acima do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano.
Andrade adiantou que a indústria poderá contribuir com a política do governo para conter a inflação. “Estamos analisando a possibilidade de fazer um trabalho para entendermos melhor os mecanismos de controle da inflação no Brasil. Queremos ver como a indústria pode contribuir para manter a estabilidade dos preços.” A ideia, segundo Andrade, é que, com a ajuda dos empresários, o governo evite apertos monetários para controlar os eventuais repiques de inflação.
Fonte: CNI