A Segurança Pública de Mato Grosso reduziu em 83% seus investimentos na área de informação e inteligência entre os anos de 2008 e 2009, na contramão da tendência nacional de valorização destes setores – estratégicos para combate a crimes como os 38 assaltos a banco ocorridos no Estado desde o ano passado (segundo o Sindicato dos Bancários de Mato Grosso). Os dados, divulgados ontem, foram compilados pelo Anuário 2010 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Entre outros números (ver quadro), a publicação apontou que os investimentos do governo mato-grossense em informação e inteligência caíram de R$ 609 mil para R$ 99,8 mil de 2008 para 2009. Só o Estado de Alagoas reduziu mais que Mato Grosso, deixando de aplicar pouco mais de R$ 18 mil para praticamente nada: apenas R$ 690 – uma redução de 96,29%.

Enquanto isso, estados vizinhos investem pesado em informação e inteligência a fim de prever e desmantelar ações criminosas com uma eficácia que Mato Grosso não tem demonstrado. Mato Grosso do Sul, por exemplo, liberou mais de R$ 13 milhões para o setor em 2009. Na comparação com os R$ 3,9 milhões de 2008, o investimento cresceu em 229,98%. Ao norte, o vizinho Pará aumentou em 238,51% o montante voltado para a inteligência (mais de R$ 6 milhões aplicados em 2009).

“Se Mato Grosso teve uma queda nestes investimentos, só posso comentar que ainda se precisa avançar muito nessa área. Não sei se é mau gerenciamento, mas é uma falta de inteligência deixar de investir em inteligência”, criticou o sociólogo Naldson Ramos. Coordenador do Núcleo Interinstitucional de Estudo por Violência e Cidadania, Ramos mencionou que a inteligência tem sido prioridade para os estados no combate ao crime organizado, uma tendência consolidada e incentivada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública. No caso de Mato Grosso, o investimento no setor não cresceu, embora o total de verba destinada à segurança pública em geral tenha aumentado.

A frequência de assaltos a banco orquestrados por quadrilhas extremamente organizadas é um problema emblemático para apontar a necessidade de investimento do Estado em inteligência. No ano passado, o Sindicato dos Bancários registrou 20 assaltos nas cidades mato-grossenses. Este ano, 18. As estatísticas e as últimas notícias também dão conta de pelo menos 110 arrombamentos de caixas-eletrônicos.

ESTADO – Sobre o assunto, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) preferiu se pronunciar por meio de uma nota. Explicou que, desde abril, tem mantido o foco no combate aos homicídios – Mato Grosso é líder em mortes violentas no país, segundo o IBGE, e o Fórum de Segurança Pública aponta que, entre 2008 e 2009, a taxa de assassinatos aumentou 16,9% a despeito do crescimento de investimentos em segurança.

Sobre os investimentos em informação e inteligência, a nota informou que, em 2008, gastou os recursos na compra de software e equipamentos especializados no combate a crimes cibernéticos. Já em 2009, diz a Secretaria, a verba foi destinada no capital humano para aplicar as tecnologias adquiridas.

RETROSPECTIVA – Os assaltos a banco em Mato Grosso, especialmente as agências do Banco do Brasil no interior, têm se tornado notícia cada vez mais frequente – e uma cada vez mais parecida com a outra. As quadrilhas que têm assolado o Estado desde o ano passado usam de esquemas similares, da chegada às agências à fuga. Mas mesmo assim ainda a Segurança Pública estadual continua sendo pega desprevenida.

O último assalto teve como alvo a agência do banco em Denise (211 quilômetros de Cuiabá). Os bandidos chegaram à agência, levaram o dinheiro, fizeram reféns de escudo humano e bateram em retirada mata adentro. A mesma coisa ocorrera quatro dias antes, no BB de Campo Novo do Parecis, em Nova Mutum (junho) e, no ano passado, em agências de Alto Taquari (fevereiro), Tabaporã e São José do Rio Claro (setembro).
 Fonte: DC

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