A luta pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais continua em nosso país. No dia 2 de fevereiro, no retorno das atividades parlamentares do Congresso Brasileiro, as Centrais Sindicais se uniram para pressionar os deputados pelo agendamento da votação da proposta. Os empresários reagiram de pronto, contrários à proposta. Mas a luta continua e novas pressões ocorreram, prometem as Centrais Sindicais. Como bom exemplo de que a proposta de redução da jornada não é nenhum absurdo e já é realidade em outros países, o Jornal do SINDPD-MT divulga matéria publicada no site do DIEESE sobre a luta dos trabalhadores alemães.
 
METALÚRGICOS ALEMÃES CONQUISTAM JORNADA DE 36 HORAS SEMANAIS 
 
O turno de 36 horas semanais tornou-se realidade para mais de 3 milhões de metalúrgicos da Alemanha, a partir de 1º de abril. A conquista fortaleceu ainda mais a luta do movimento sindical alemão pela redução da jornada, que deve assegurar 60 mil vagas no setor.
 
Os trabalhadores iniciam agora a última etapa de negociação com os empresários para a conquista das 35 horas. O tabu das 40 horas semanais foi rompido em 1984, com a greve de seis semanas dos operários.
 
Este texto foi produzido com base nas informações divulgadas pelo boletim do IG Metall, o maior sindicato daquele país.
 
Um turno da tarde mais curto, menos turnos à noite, chegar às sexta-feiras mais cedo em casa, trabalhar de segunda a sexta-feira apenas sete horas e doze minutos. Os conselhos de empresa do IG Metall fecharam acordos com as mais variadas possibilidades para colocar em prática a semana de 36 horas, que entrou em vigor em 1º de abril deste ano, na indústria metalúrgica alemã. Depois de quatro anos sem redução da jornada de trabalho, as 36 horas semanais tornaram-se realidade – assegurando o emprego de 60 mil trabalhadores no setor.
 
A prática das 36 horas possibilita encurtar a jornada semanal de trabalho para que os metalúrgicos possam ter mais tempo para se dedicar às suas famílias e conviver com os amigos. Mais do que isso: a redução da carga horária dos trabalhadores atenua a atual crise econômica pela qual passa a Alemanha, evitando as dispensas em muitas empresas metalúrgicas.
 
Se não fosse a redução da jornada, seria muito difícil manter os atuais postos de trabalho, já que a criação de novas vagas não condiz com a realidade econômica alemã. É cada vez maior o número de trabalhadores que engrossam as listas de dispensa, ou trabalham com jornada parcial.
 
No início do ano, o desemprego na Alemanha alcançava 3,47 milhões de pessoas, com 1,04 milhão de empregados trabalhando em regime de jornada parcial. Enquanto caem as encomendas à indústria, as máquinas produzem menos e, como resultado, a produção se acumula nos armazéns à espera de compradores. A crise econômica mundial também atinge o país, que passou a adotar programas de racionalização de custos.
 
Os planos de redução de pessoal atinge desde a Volkswagen e a IBM até as empresas produtoras de aço, abrangendo milhares de trabalhadores.
 
É diante desse quadro que surpreende a posição de alguns empresários. Hans Peter Stihl reivindica o retorno à jornada de 40 horas semanais, enquanto Klaus Murmann, chefe da confederação das associações patronais alemãs, pede para que se interrompa a redução da carga de trabalho. O empresariado lançou uma verdadeira campanha e quer, em conjunto, a volta de jornadas mais longas.
 
Fazendo coro com os empresários. O chanceler Helmut Kohl avaliou que "mais uma hora de trabalho por semana seria ideal". Por sua vez, Karl-Heinz Blessing, do SPD, retrucou: "isto é a maior asneira que ouvi nos últimos tempos".
 
As experiências mostram claramente como a jornada de trabalho menor contribuiu para a criação de novos postos de trabalho.
 
"Todas as análises preliminares mostram que há uma relação direta entre carga de trabalho reduzida e nível de emprego mais elevado", publicou o jornal Spiegel no final do ano passado.
 
"Se não fosse a redução dos horários de trabalho, a taxa de desemprego seria hoje muito mais alta", enfatiza o professor Friedrich Buttler, diretor do Instituto de Investigação do Mercado de Trabalho e Profissional. O órgão trabalha para a Repartição Federal do Trabalho.
 
Todas as fomas de redução na jornada de trabalho que os sindicatos conquistaram entre 1982 e 1991 asseguram a criação de aproximadamente 1 milhão de novos postos de trabalho. Os metalúrgicos foram os que mais se beneficiaram desse processo de geração de emprego.
 
NENHUM VENENO
Em 1984, o chefe da Gesamtmettal, Dieter Kirchner, declarou que a redução do horário de trabalho seria "como um veneno de morte na luta contra o desemprego". Hoje se sabe, no entanto, que através da redução do horário de trabalho de 40 para 37 horas semanais foram assegurados ou criados 195 mil vagas na indústria metalúrgica e elétrica, juntas, desde 1985.
 
Mesmo assim, os empresários preferem fazer declarações alarmantes sobre a redução da jornada. Na visão deles, isto "põe em perigo um país industrial como a Alemanha".
 
Em 1985, ano em que a jornada de trabalho passou de 40 para 38,5 horas semanais, o lucro das empresas metalúrgicas saltou para 30,5%.
 
Três anos depois, a jornada foi reduzida em mais uma hora, mas o balanço do setor ainda foi positivo em 11%.
 
Com a jornada de 37 horas semanais, a partir de 1989, o lucro das empresas continuou acima da média (13%). Não importa se o desempenho da economia é favorável ou não: para os empresários, a redução da carga horária sempre será considerada algo "terrível".
 
12/02/2010 – Fonte: Site Dieese
 

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