Relatório feito pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso aponta que apenas quatro dos 10 leitos da UTI Neonatal do Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá estão em funcionamento. A vistoria do CRM foi feita depois da morte, em menos de duas semanas, de cinco crianças que estavam internadas na unidade. A suspeita é de que os bebês tenham morrido por infecção hospitalar.
O presidente do CRM no Estado, Arlan Azevedo, disse que a UTI Neonatal do Pronto-Socorro de Cuiabá não oferece riscos de infecção para os bebês. “Os leitos têm mecanismos que impedem as infecções, como boas condições de higiene”, disse. No entanto, o presidente do CRM afirmou que o fato de menos da metade dos leitos estarem em funcionamento é uma falha grave.
“E não estão em condições de atender pela falta de pequenos equipamentos, como frascos de aspiração”, informou. Outra falha encontrada durante a vistoria do CRM foi a falta de itens como papel-toalha nos banheiros e de umidificadores.
Para Azevedo, esses problemas poderiam ser facilmente contornados pela administração do hospital. “Se ainda estivéssemos falando de falta de profissionais, a questão seria bem mais difícil de resolver. Mas o quadro de médicos está completo, os problemas atuais são bem menos complexos”, avaliou.
Os cinco recém-nascidos internados na UTI Neonatal do PSM de Cuiabá morreram em dezembro. A unidade ficou fechada durante três dias para desinfecção terminal. Dos recém-nascidos que morreram, dois eram de Colíder, um de Rondonópolis, um de Aragarças (GO) e uma de Cuiabá.
Em dois bebês o resultado da hemocultura – exame que pesquisa presença de bactérias no sangue – apontou a presença de um germe frequentemente encontrado na pela humana, mas muito invasivo quando aparece em paciente com sistema de defesa fragilizado. Os outros casos ainda estão sob investigação. Dois recém-nascidos apresentavam bactéria na pele, mas ainda não é possível afirmar se isso causou a morte das vítimas. Esses dois bebês estavam internados com doenças graves.
De acordo com o coordenador da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do PSMC, Luciano Ribeiro, as crianças haviam sido transferidas de outros hospitais e estavam tomando antibióticos.
Em nota, a direção do PSMC disse que a instituição não recebeu nenhum relatório do CRM sobre a UTI Neonatal da unidade hospitalar. No entanto, garante que o hospital tem seis leitos “totalmente equipados que estão disponibilizados na central de regulação”. A direção do Pronto-Socorro informou ainda que dos seis leitos, três são credenciados e remunerados pelo Sistema Único de Saúde e que os outros são mantidos com recursos da Secretaria de Saúde de Cuiabá.
Fonte: DC