NOVEMBRO: “A POPULAÇÃO A MERCÊ DO CRIME”
A quarta semana do mês ainda está em curso, mas a Polícia apresenta uma estatística macabra com 42 vidas ceifadas na região metropolitana
Faltando seis dias para o término do mês, novembro registra 42 assassinatos – sendo 23 em Cuiabá e 19 em Várzea Grande – conforme números da Delegacia de Homicídios e Proteção a Pessoa. Isso representa um assassinato a cada 13 horas. Até a semana passada, a Cidade Industrial tinha mais homicídios do que a Capital. Essa situação se inverteu. Nesse ritmo, este poderá ser mais violento que outubro, que fechou com 49 execuções, o segundo mês mais violento do ano – abril teve 51.
No ano, já se passou dos 400 assassinatos, recorde nos últimos 14 anos. Para se ter ideia da matança, em 2000, foram registrados 384 execuções.
Para policiais da DHPP não existe uma explicação para tantos assassinatos, mas um levantamento recente aponta que mais de 90% das vítimas são as chamadas “vítimas potenciais” de homicídios.
Eles explicaram que são ex-presidiários ou mesmo usuários de entorpecentes que, de uma forma ou de outra acaba sendo executado por traficantes ou briga entre os próprios viciados. “O restante das vítimas, são vítimas de crimes passionais ou mesmo latrocínio (roubo seguido de morte)”, assinalou um policial.
Os números alarmantes não chegam a impressionar as autoridades da área de segurança pública de Mato Grosso cujo investimento na área cresce a cada ano, mas os resultados não aparecem. Pelos números dos últimos anos, a tendência é de alta no número de homicídios.
Outro detalhe intrigante é que o combate ao tráfico de entorpecentes na Capital não diminuiu, uma vez que quase metade dos homicídios ocorridos nos últimos 10 anos está ligado, de uma forma ou de outra, a drogas. No ano passado foi mais de uma tonelada de entorpecente apreendida na Capital, uma demonstração de combate forte ao tráfico.
FIM DE SEMANA
Apesar de novembro registrar mais de 40 assassinatos na Grande Cuiabá, o fim de semana foi um dos mais “calmos” com três homicídios sendo dois na Capital e um em Várzea Grande. Este último ocorreu no sábado, por volta das 23 horas quando o vendedor Jean Carlos Dias de Freitas, 32, caminhava com sua esposa pela rua Moisés Nadaf, no Bairro Santa Luzia, em Várzea Grande.
Baleado com dois tiros, ele morreu no local. A esposa relatou a policiais militares que atenderam a ocorrência que um homem numa bicicleta seguiu o casal. Em dado momento, atirou pelas costas atingindo a vítima. Em seguida, o criminoso a obrigou a sair correndo. Ela percebeu que, assim que caiu, Jean foi atingido por um tiro na cabeça.
Em Cuiabá, um jovem ainda não identificado foi morto por asfixia e jogado num matagal da avenida Daliberto da Costa, no bairro Santa Isabel, em Cuiabá. O assassinato ocorreu na madrugada de sábado, por volta das 5 horas.
O desconhecido que trajava bermudão jeans, tinha uma camisa de uniforme de uma empresa distribuidora de água e gás no pescoço. Os criminosos o asfixiaram com a camisa e, por pouco não o estrangulam. O jovem tinha uma tatuagem no braço direito com a palavra “André” e o nome de “Benedita”, no ombro. No pé tem a letra “K”, tatuada.