STF ameaça tirar Rumble do ar no Brasil

Junto com empresa de comunicação de Trump, plataforma de vídeos entrou com ação contra Moraes, autor da intimação
STF ameaça tirar Rumble do ar no Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que a Rumble, plataforma canadense de vídeos, indique um representante legal no Brasil em até 48 horas. Caso não se cumpra a ordem judicial, as atividades no país deverão ser suspensas.

No despacho emitido na última quarta-feira (19), relata-se que houve uma ordem para que plataforma tirasse do ar um vídeo do influenciador bolsonarista Allan do Santos. A ordem foi dada no dia 9 de fevereiro e também exigia a suspensão dos repasses de valores oriundos de monetização.

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Porém, no dia 12, os advogados da empresa no Brasil alegaram não ter os devidos poderes para receber intimações referente ao Rumble e renunciaram ao mandado no dia 17 sob a justificativa de que não eram representantes legais.

Em contrapartida, Moraes afirma que a lei brasileira estabelece que é necessário haver um representante legal de empresas estrangeiras que operam no Brasil. O Rumble, então, deverá providenciar alguém em até 48 horas, “sob pena de suspensão imediata das atividades da empresa” no país.

Em um post publicado na última quinta-feira (20), Chris Pavlovski, CEO do Rumble, afirmou que recebeu a determinação de Moraes, mas não revelou o conteúdo.

“Oi @alexandre. Recebemos mais uma ordem ilegal e sigilosa na noite passada [quarta-feira, 19], exigindo nosso cumprimento até amanhã à noite. Você não tem autoridade sobre o Rumble aqui nos EUA, a menos que passe pelo governo dos Estados Unidos. Repito — nos vemos no tribunal”, diz a publicação, feita em português e inglês.

Juntamente com a empresa de mídia do presidente dos EUA, Donald Trump, o Rumble entrou com uma ação conjunta contra Moraes em um tribunal federal americano.

A justificativa das plataformas é de que a determinação de Moraes – ordenando que o Rumble feche a conta de Allan dos Santos e forneça os seus dados de usuário – vai contra a soberania dos Estados Unidos, a Constituição americana e as leis do país. Emitidas de forma sigilosa, as ordens de Moraes proíbem que o Rumble divulgue seu teor.

Ainda nas redes sociais, Pavovski escreveu, na quarta-feira (19), que o Rumble não cumprirá o que chamou de “ordens ilegais” de Moraes.

A plataforma, utilizada principalmente por influenciadores de extrema-direita, anunciou seu retorno ao Brasil no início de fevereiro.

O anúncio da medida foi feito um dia depois da revogação, feita por Moraes, da suspensão das contas em redes sociais do influenciador Monark. Dentre as plataformas em que o podcaster havia sido bloqueado, estava o próprio Rumble.

Já os advogados da empresa de mídia de Trump argumentam que as tentativas de restringir as operações da plataforma de vídeo também prejudicariam a Trump Media and Technology Group Corp. (Trump Media), dona da plataforma Truth Social.

A relação está no serviço de nuvens que o Rumble oferece e que sustenta a Truth Social. Assim, qualquer bloqueio imposto à plataforma também poderia afetar a empresa de Trump, o que foi usado como base legal para contestar as decisões de Moraes nos EUA.

A Casa Branca anunciou a criação do canal oficial do governo na plataforma dois dias depois de o Rumble voltar a funcionar no Brasil.

(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Freepik/Reprodução)

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