Polícia Civil desarticula grupo que usava IA para fraudes eletrônicas  

Investigação revela que organização criminosa criava biometrias faciais falsas para invadir contas e realizar furtos mediante a técnica de "SIM swap"

Fraudes eletrônicas – Em uma ofensiva contra o avanço tecnológico do crime organizado, a Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (14.04), a Operação Mil Faces. A ação visa desmantelar um grupo criminoso especializado em invasões de dispositivos informáticos e furtos eletrônicos que utilizava Inteligência Artificial (IA) generativa para enganar sistemas de segurança e lesar centenas de consumidores em todo o país.

A operação, coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), cumpre 13 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá. Entre os mandados estão duas prisões preventivas, cinco de busca e apreensão, três de sequestro de bens e três de afastamento de sigilo telemático. As diligências concentram-se na cidade de Poxoréu, em Mato Grosso, e na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo.

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O esquema foi descoberto após uma grande provedora de telefonia identificar anomalias em seus registros internos. A investigação revelou que os criminosos utilizavam IA para criar deepfakes — biometrias faciais falsas que permitiam a criação de centenas de cadastros fraudulentos. Ao burlar o reconhecimento facial da empresa, o grupo conseguia realizar o chamado SIM swap, que consiste na troca indevida do chip telefônico. Com o controle da linha das vítimas, os fraudadores acessavam serviços financeiros, realizavam saques em contas digitais e efetuavam compras indevidas.

Segundo o delegado Guilherme da Rocha, responsável pelo caso, o uso de IA generativa para subverter a segurança demonstra uma evolução na dinâmica delitiva. “O uso de ferramentas de inteligência artificial generativa para subverter sistemas de segurança demonstra a evolução da criminalidade e reforça a necessidade dos órgãos de polícia judiciária se manterem qualificados e capacitados para investigações cada vez mais técnicas e complexas”, destacou a autoridade policial.

Os investigados podem enfrentar penas que, somadas, chegam a 19 anos de prisão. Eles responderão pelos crimes de associação criminosa, invasão de dispositivo informático qualificada, falsidade ideológica e furto qualificado mediante fraude eletrônica.

A Operação Mil Faces, cujo nome remete às centenas de faces criadas artificialmente pelos suspeitos, contou com o apoio operacional da Coordenadoria de Enfrentamento ao Crime Organizado (Cecor), da Polícia Civil do Espírito Santo e das delegacias regionais de Primavera do Leste e Poxoréu. A iniciativa faz parte da Operação Pharus, integrada ao planejamento estratégico de 2026 da Polícia Civil de Mato Grosso, dentro do Programa Tolerância Zero Contra Facções Criminosas.

(Com informações de PJC)

(Foto: Reprodução/Polícia Judiciária Civil do Mato Grosso)

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