Pesquisadora de MT aposta em presença feminina na ciência para combater violência no estado

Com o estado no topo do ranking de feminicídios, estudo da UFMT reforça importância de valorizar o protagonismo intelectual das mulheres

Presença feminina na ciência – Neste Mês da Mulher, em que a sociedade é chamada à reflexão sobre os desafios das mulheres no país, o debate sobre igualdade de gênero ganha contornos urgentes em Mato Grosso. O estado, que atualmente detém a maior taxa de feminicídio do país, vê na ciência uma aliada inesperada, mas fundamental, para enfrentar a violência estrutural.

Uma pesquisadora indígena da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) tem liderado a defesa de que valorizar a imagem e a produção de mulheres cientistas é uma estratégia direta para romper desigualdades históricas. De acordo com a estudiosa, o reconhecimento acadêmico amplia o respeito às mulheres em todas as instâncias da sociedade.

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O cenário em Mato Grosso

Os números confirmam a gravidade da situação. O Painel PE – Feminicídio e Violência Doméstica (Sistema OMNI) registrou cerca de 5 mil ações penais relacionadas a esses crimes entre janeiro e dezembro de 2025 nas comarcas do estado.

Para a pesquisadora, o feminicídio é o ápice de uma pirâmide de abusos cotidianos que começam na desvalorização intelectual. “No contexto acadêmico, essa violência ocorre por questões diversas, entre elas a ideia de que as mulheres estão (ou deveriam estar) em áreas do conhecimento ou profissões associadas a papéis tradicionais de cuidado e com menor prestígio ou remuneração”, explica Terena.

O desafio nas Ciências Exatas

A persistência da ideia de que mulheres devem ocupar apenas áreas de “cuidado” acaba criando guetos femininos e afastando estudantes das chamadas Ciências Exatas. O curso de Física da UFMT é um exemplo claro dessa disparidade:

No segundo semestre de 2024, apenas duas mulheres se formaram no Bacharelado, em um grupo de nove formandos). Na Licenciatura, havia apenas duas formandas. Já no primeiro semestre de 2025, de cinco estudantes formados na Licenciatura, apenas duas eram mulheres.

Embora o ingresso entre homens e mulheres seja equilibrado, a desistência feminina ao longo da graduação é alta. O projeto de extensão Mulheres nas Ciências, do Instituto de Física, reúne cerca de dez alunas que debatem esses obstáculos, revelando que a percepção da Física como um “campo masculino” ainda é uma forte barreira de permanência.

Educação e o Projeto Museu-Lab

A estratégia para mudar essa realidade passa pela educação básica. Analisando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a pesquisadora defende que o letramento científico deve incluir a temática das mulheres na ciência para formar cidadãos mais críticos.

Como resposta prática, a UFMT verá o nascimento do Projeto Museu-Lab. O espaço físico unirá arte, ciência e tecnologia para expor as trajetórias de mulheres cientistas. Um dos núcleos da exposição será focado em perfis de dez pesquisadoras de diferentes origens étnicas e sociais.

A iniciativa reafirma que o combate à violência em Mato Grosso não se faz apenas com segurança pública, mas com o reconhecimento das vozes de mulheres indígenas, mães e pesquisadoras que produzem conhecimento e resistem ao apagamento histórico.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/metad3956/Imagem gerada por IA)

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