Agro com foco em IA – O agronegócio brasileiro planeja destinar entre 10% e 20% do orçamento de Tecnologia da Informação (TI) para iniciativas de inovação até 2026, segundo dados da pesquisa Antes da TI, a Estratégia (ATI), do IT Forum Inteligência. Em Mato Grosso, maior produtor agrícola do país, esse movimento ganha contornos práticos ao se somar a uma base consolidada de pesquisa científica voltada à eficiência e à sustentabilidade das lavouras.
A ATI mostra que a inteligência artificial e o aprendizado de máquina lideram as prioridades tecnológicas do setor, com 71% das empresas apontando essas áreas como foco para os próximos 12 meses. IA generativa (57%) e soluções de armazenamento, cópia de segurança e imutabilidade de dados (57%) também aparecem entre os principais investimentos. O levantamento indica que o agro, historicamente visto como conservador, avança para integrar a tecnologia ao núcleo do negócio, da logística à tomada de decisão estratégica.
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Em Mato Grosso, essa transformação digital encontra terreno fértil. A agricultura do estado, antes guiada predominantemente pela experiência acumulada ao longo de gerações, hoje se apoia em pesquisas científicas que otimizam o uso de fertilizantes, defensivos e sementes, evitando desperdícios e ampliando a eficiência produtiva.
Os centros de pesquisa CTECNO Araguaia e CTECNO Parecis, mantidos pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e pelo Instituto Mato-grossense do Agronegócio, desenvolvem há mais de uma década experimentos voltados ao uso consciente de recursos agrícolas. As pesquisas incluem testes com diferentes cultivares de soja e híbridos de milho, variados tipos de solo e combinações de insumos.
Segundo Luiz Pedro Bier, vice-presidente e coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja MT, a aplicação da ciência no campo representa um diferencial competitivo. “Produzimos mais em menos áreas, com menor custo e maior qualidade, sem necessidade de desmatar novas áreas. Isso gera ganhos ambientais e sociais, atendendo à população com alimentos em abundância e a preços competitivos”, afirma.
Bier ressalta ainda que a pesquisa brasileira é pioneira na agricultura tropical, ao adaptar cultivares e técnicas de manejo às condições climáticas e aos solos do Centro-Oeste, o que colocou Mato Grosso em posição de destaque na produção nacional.
No CTECNO Parecis, os experimentos permitem reduzir riscos e aumentar a assertividade das decisões no campo. Rodrigo Hammerschmitt, coordenador da unidade, explica: “Nossos experimentos mostram aos produtores quais manejos funcionam melhor e quais são menos eficientes. Por exemplo, em solos arenosos com menos de 15% de argila, observamos que a sucessão da soja com plantas de cobertura como a braquiária gera maior rentabilidade por hectare.”
Os dados obtidos nas estações de pesquisa são repetidos e acompanhados ao longo dos anos, permitindo que os agricultores avaliem os efeitos das práticas adotadas e planejem os ciclos seguintes com maior segurança. As informações são compartilhadas em visitas técnicas e divulgadas em circulares no site da Aprosoja MT.
“Quem participa dos dias de campo e acompanha os trabalhos científicos percebe onde há perdas e como otimizar recursos, aumentando a rentabilidade da propriedade”, reforça Bier.
A adoção de tecnologia também se reflete na experiência dos produtores. Alberto Chiapinotto, agricultor que atua em solos arenosos, afirma que as visitas ao CTECNO Parecis foram decisivas para melhorar seus resultados. “Investir em tecnologia é o caminho certo. Sem a pesquisa, não teríamos alcançado a evolução que vemos hoje no Mato Grosso e no Brasil”, diz.
O cenário revelado pela ATI mostra que 67% dos orçamentos de TI do agronegócio estão concentrados entre R$ 30,1 milhões e R$ 50 milhões, mas 57% das empresas destinam recursos adicionais de outras áreas para iniciativas de inovação. Em Mato Grosso, essa integração entre tecnologia da informação e pesquisa agronômica indica uma transformação estrutural: a inovação deixa de ser acessória e passa a orientar o manejo, a gestão e a competitividade do campo.
Ao combinar inteligência artificial, testes científicos e práticas sustentáveis, o agro mato-grossense consolida um modelo em que dados e pesquisa aplicada se tornam motores diretos da produtividade, da redução de custos e da segurança alimentar.
(Com informações de IT Fórum e Minuto MT)
(Foto: Reprodução/Divulgação/Ministério das Comunicações)












