Produtividade – Apesar dos investimentos de bilhões de dólares direcionados ao setor de inteligência artificial nos últimos anos, a percepção predominante no meio corporativo é de que os resultados ainda não correspondem às expectativas iniciais. Um novo estudo indica que mais de 80% das empresas não observaram melhora na produtividade nem mudanças significativas no nível de emprego após a adoção da tecnologia.
O relatório Firm Data on AI, divulgado pelo National Bureau of Economic Research (NBER), reuniu respostas de aproximadamente 6 mil executivos de empresas de diferentes segmentos nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália.
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Ao considerar o período dos últimos três anos, 89% dos gestores afirmaram que a inteligência artificial não alterou a produtividade de suas empresas, medida a partir da métrica de vendas por funcionário. Da mesma forma, 90% disseram que o uso da tecnologia não provocou mudanças no tamanho das equipes. No consolidado geral, o avanço médio acumulado de produtividade foi de apenas 0,29%.
Segundo o portal Tom’s Hardware, cerca de 70% das empresas consultadas declararam utilizar IA em suas atividades. Entretanto, a aplicação ainda é restrita: um terço dos executivos relatou empregar a tecnologia por apenas 1,5 hora semanal, em média. Além disso, um quarto dos entrevistados admitiu não usar IA de forma alguma.
Embora o estudo do NBER não detalhe as razões para o avanço limitado da IA nas organizações, outras análises recentes ajudam a contextualizar o cenário. Um teste divulgado em janeiro mostrou que modelos de IA amplamente disponíveis no mercado apresentaram desempenho inferior ao esperado em determinadas tarefas, com taxa de acerto abaixo de um terço.
Paralelamente, funcionários relataram aumento de retrabalho em situações nas quais conteúdos gerados por IA não passaram por revisão adequada. A prática passou a ser chamada de “workslop”, expressão usada para descrever material produzido por IA sem o devido controle de qualidade.
Otimismo entre executivos
Mesmo diante dos resultados modestos até o momento, o estudo do NBER aponta expectativas positivas para o médio prazo. Os executivos projetam que, nos próximos três anos, a inteligência artificial poderá elevar a produtividade geral em 1,4% e ampliar a produção em 0,8%. Por outro lado, estimam uma possível redução de 0,7% no número total de empregos.
No Reino Unido, as projeções mais elevadas de ganho de eficiência concentram-se nos setores de Informação e Comunicações (+2,8%) e de Serviços Administrativos e de Suporte (+2,5%). Já as quedas mais acentuadas no quadro de pessoal são esperadas no Varejo e Atacado (-2,0%) e em Acomodação e Alimentação (-1,8%).
Entre os países analisados, os gestores dos Estados Unidos demonstram maior entusiasmo: eles preveem crescimento de 2,25% na produtividade, acompanhado de uma redução de 1,19% nas vagas.
Há, contudo, diferenças de percepção dentro das próprias empresas norte-americanas. Enquanto executivos projetam cortes e ganhos mais robustos, funcionários estimam que a IA poderá elevar o nível de emprego em 0,45% e gerar aumento de produtividade mais modesto, em torno de 0,9%.
(Com informações de Tecno Blog)
(Foto: Reprodução/Freepik)












