Golpes digitais – A onda de golpes no Brasil ainda está longe de atingir seu pico, impulsionada pelo fácil acesso à inteligência artificial (IA), que tem acelerado o crescimento e a globalização das fraudes bancárias em todo o mundo. A avaliação foi feita pelo secretário-geral da Interpol, o brasileiro Valdecy Urquiza, durante evento da Febraban nesta quarta-feira (18).
Segundo Urquiza, a tecnologia tem permitido que organizações criminosas ampliem sua atuação. “A adoção da IA pelas organizações criminosas ajuda na execução de atividades para as quais não havia habilidade, permite que elas operem em uma escala global jamais vista e movam suas operações geograficamente”, afirmou.
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Primeiro representante de um país em desenvolvimento a chefiar a Interpol, Urquiza destacou que o crescimento das fraudes foi o principal tema discutido pela entidade no último ano. A organização reúne forças policiais de 196 países.
Os dados mostram um cenário de expansão global dos crimes digitais. Nas Américas, as ocorrências de crimes na internet cresceram 40%, enquanto na Europa o aumento foi de 69%. No Reino Unido, as fraudes online representaram 43% de todos os crimes investigados no ano passado.
O secretário-geral também apontou uma tendência de profissionalização do crime digital, com grupos especializados oferecendo tecnologia para outros criminosos ao redor do mundo. Um exemplo recente ocorreu no último dia 2, quando o grupo Dragonforce, da Malásia, anunciou o roubo de dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). A organização recruta afiliados globalmente, fornece ferramentas para invasões e utiliza o conhecimento local dos participantes.
Outro modelo comum envolve centrais telefônicas falsas instaladas em países do sudeste asiático, como o Camboja. Para Urquiza, esse tipo de operação reforça a necessidade de cooperação internacional entre autoridades policiais.
“O Brasil tem a sorte de ter uma Polícia Federal organizada e bem equipada, mas dependemos da capacidade do país na África onde a fraude começa para avançar nas investigações”, disse. Nesse contexto, a Interpol atua oferecendo ferramentas para integração de dados entre seus países-membros.
Relatórios recentes de empresas de cibersegurança indicam que a maioria dos vírus encontrados em smartphones no Brasil tem origem no exterior. Essas mesmas quadrilhas também atuam em outros países da América Latina, especialmente no México.
De acordo com análise da Kaspersky, os programas maliciosos identificados ainda não realizam desvios de transações via Pix, concentrando-se principalmente em espionagem e roubo de contas.
Urquiza destacou ainda que o uso massivo de anúncios pagos se tornou o principal vetor para aplicação de golpes online. Ele defende maior cooperação entre empresas de tecnologia e autoridades, a exemplo da parceria já existente entre bancos brasileiros e a Polícia Federal.
Desde 2009, as principais instituições financeiras do país compartilham informações sobre fraudes com as autoridades. Essa colaboração também contribui para o aprimoramento das tecnologias de detecção de atividades ilícitas.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Reprodução/Freepik/kacreation)












