Desemprego em mínima histórica esconde subutilização ainda alta

Taxa de subutilização caiu para 13,4%, também no menor patamar já registrado, mas ainda representa mais de 15 milhões de pessoas

Subutilização – A taxa de desemprego no Brasil atingiu o menor nível da série histórica, chegando a 5,1% no trimestre encerrado em dezembro. O resultado sinaliza avanço do mercado de trabalho, mas especialistas alertam que o dado, isoladamente, não retrata todas as fragilidades da ocupação no país.

Paralelamente, a taxa de subutilização — indicador mais amplo que inclui desempregados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas na força de trabalho potencial — recuou para 13,4%, também no menor patamar da série. Ainda assim, o percentual permanece em dois dígitos e corresponde a 15,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais em uma força de trabalho ampliada de 113,8 milhões.

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Os dados são da IBGE, por meio da Pnad Contínua. O instituto destaca que os indicadores podem ser analisados de forma complementar e que a taxa de desocupação é amplamente utilizada internacionalmente.

Para o pesquisador João Mário de França, do FGV Ibre, a leitura exclusiva da taxa de desemprego pode limitar o diagnóstico. “Se você olhar só para a desocupação, pode mascarar alguma outra informação”, afirma.

A subutilização ultrapassou 30% durante a pandemia, em 2020, e desde então vem recuando com a recuperação da atividade econômica. Mesmo assim, analistas apontam que o patamar atual ainda revela entraves estruturais.

O economista Ely José de Mattos, da Escola de Negócios da PUCRS, avalia que o indicador capta características permanentes do mercado brasileiro, como informalidade e baixa produtividade média. “Não diria que é uma taxa muito alta, ela vem caindo, mas ainda está em 13%, em dois dígitos, e chama um pouco a atenção. É algo mais estrutural do que conjuntural. Tem a ver com a maneira como o emprego está estruturado.”

Desigualdades regionais

Apesar da melhora nas cinco grandes regiões no quarto trimestre de 2025, as diferenças permanecem expressivas. O Nordeste registrou taxa de subutilização de 22,6%, enquanto o Sul apresentou 7,2%. Norte (15,7%), Sudeste (11%) e Centro-Oeste (8,6%) completam o quadro.

Seis estados nordestinos superaram 20%, com destaque para Piauí (27,8%) e Bahia (25,4%). No outro extremo, unidades como Santa Catarina (4,4%) e Espírito Santo (5,9%) ficaram abaixo de 10%.

No recorte das capitais, Recife liderou com 19,9%, seguida por Aracaju (18,4%) e Salvador (18,1%). Já Goiânia (5,5%), Campo Grande (5,9%) e Florianópolis (6%) apresentaram os menores índices.

Em nota divulgada anteriormente, o pesquisador do IBGE William Kratochwill afirmou que a queda do desemprego “mascara problemas estruturais”, mencionando informalidade e subutilização elevadas no Norte e no Nordeste.

O cenário ocorre em meio ao debate sobre o possível fim da escala 6×1. Defensores da mudança argumentam que mais tempo de descanso pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, enquanto setores empresariais apontam risco de aumento de custos.

Com o desemprego em mínima histórica, os dados indicam que o desafio passa agora por ampliar a qualidade e a distribuição das oportunidades, reduzindo não apenas a desocupação, mas também as formas de inserção insuficiente no mercado de trabalho.

(Com informações de Folha de S. Paulo)
(Foto: Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo)

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