A Executiva Municipal do PSB determinou que a assessoria jurídica do partido aponte punições possíveis de serem aplicadas aos vereadores Faissal Calil (PSB) e Onofre Júnior (PSB).
Para o presidente do SINDPD-MT João Figueiredo a direção municipal do partido precisa aprender que o PSB não é de aluguel e que por isso precisa dar a atenção que a base merece e aos vereadores eleitos na mesma forma. Dialogar intensamente faz parte do processo democrático até a sua exautão e identificar a vontade dos seus corriligionários não segnifica traição. A falta de estrategia aconteceu por falta de experiência do prefeito eleito e a forma ditatorial adotada para a situação do momento, pois a politica possui um processo dinâmico e intenso.
Os parlamentares são considerados “traidores” por terem votado contra o candidato da sigla à presidência da Câmara Municipal, vereador Adilson Levante.
Durante reunião realizada na tarde de ontem (02), os membros da Executiva chegaram ao entendimento de que a atitude dos parlamentares foi “gravíssima” e “desrespeitosa”, uma vez que contrariou a orientação do partido, oficializada por meio de resolução.
O documento encaminhado aos vereadores da legenda os orientava a votarem no candidato do PSB ou de qualquer partido da base de sustentação do prefeito Mauro Mendes (PSB). Faissal e Onofre, no entanto, votaram no vereador João Emanuel (PSD), cujo partido lançou candidato próprio no primeiro turno da eleição e, no segundo turno, se manteve em lado oposto ao do então candidato socialista.
Presidente do diretório municipal, Robério Garcia afirmou que houve traição por parte dos vereadores e defendeu que ambos sejam punidos. “Além de traição ao partido e ao candidato do partido, entendemos que atitude dos vereadores também representa ato de indisciplina”, declarou.
Ao embasar sua avaliação acerca dos fatos, Robério lembrou que nenhum vereador do PSB atingiu quociente eleitoral suficiente para garantir a eleição e que, por isso, precisaram dos votos de todos os companheiros de chapa para assegurarem uma vaga no Legislativo municipal. Citou ainda entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de que o mandato pertence ao partido, e não ao candidato.
“Não vamos admitir que eles tratem essas questões de forma a fomentar a traição, por isso estudaremos punições possíveis de serem aplicadas a esses infiéis e traidores”, asseverou.
A eleição da Mesa Diretora da Câmara foi marcada por polêmicas e confusão. No dia da solenidade de escolha de seus componentes, o então candidato a presidente da chapa “Levanta Cuiabá”, vereador Júlio Pinheiro (PTB), abriu mão da candidatura, abrindo o espaço para Adilson Levante (PSB).
A manobra de última hora tinha como objetivo assegurar os votos de Onofre e Faissal, que relutavam em votar em Pinheiro sob o argumento de que queriam renovação. A estratégia, contudo, não funcionou e os parlamentares votaram no candidato adversário, contribuindo de sobremaneira para sua vitória, por 14 votos a 11.
O fato gerou verdadeiro racha no partido e também estremeceu a já abalada relação entre o senador Pedro Taques (PDT) e o deputado federal e presidente do diretório estadual do PSB, Valtenir Pereira, que integram o Movimento Mato Grosso Muito Mais, ao lado do PPS e do PV.
Na cerimônia de posse de Mauro Mendes, realizada após a eleição da Mesa Diretora, Taques acusou Valtenir de ter “dado uma facada nas costas” do prefeito. “Não sei se houve traição. O que houve foi uma facada nas costas, e bem grande”. O senador disse ainda que o deputado “tem complexo e precisa de tratamento psicológico ou psiquiátrico”.
Em resposta, Valtenir acusou Taques de ter agido de maneira semelhante ao apoiar candidatos de grupos adversários em alguns municípios do Estado e disse que o senador “precisa parar de bravata e produzir mais”, ressaltando sua colocação favorável em ranking publicado recentemente pela revista Veja, em detrimento ao resultado negativo registrado por Taques.
Mauro Mendes, por sua vez, disse que “o assunto já foi superado” e que espera ter uma boa relação com a Câmara.