Mais de 75% dos chefes de família cuiabanos consideram ruins os serviços públicos de saúde em Cuiabá. A reprovação, atestada pela maioria dos entrevistados, faz parte de um levantamento feito com 505 pessoas de ambos os sexos, realizado pela Vetor Pesquisas em fevereiro deste ano. A saúde, porém, é seguida por outros problemas que a população tem enfrentado diariamente, como má qualidade da pavimentação urbana (72,1%) e do saneamento básico (69,5%).
A pesquisa foi divulgada ontem e revela ainda problemas com segurança pública, trânsito, transporte público, coleta de lixo, limpeza da cidade, fiscalização dos terrenos baldios, conservação de praças e áreas públicas. Os dados fazem parte do projeto “Nossa Casa”, que está em sua oitava edição.
De acordo com a diretora geral da Vetor, Miriam Braga, este é o primeiro ano em que o ranking negativo do estudo apresenta a saúde pública como principal problema. “Desde 2001, segurança pública vinha sendo considerado o pior serviço”, informou. O setor da saúde é o pior na Capital para 27,3% dos entrevistados, quando a pergunta não é dirigida, mas livre. O percentual é maior quando se avalia a qualidade do serviço. Neste caso, a insatisfação com a saúde atinge 76,5% dos chefes de família contra apenas 7,9% que veem positivo. “O atendimento é muito demorado. Você está doente, sentindo dores e mandam esperar”, lamentou Keila Taques, 25 anos, que ontem à tarde acompanhou a sua sobrinha Ana, de 11 anos, até a policlínica do Verdão. A garota sentia dores de estômago.
Ainda conforme Miriam Braga, a partir de 2005, o grau de melhoria da saúde pública vem sofrendo queda. “O percentual, que era de 27,6% naquele ano, caiu para apenas 9,5% neste ano. Desde 2005, a cidade mantém uma curva descendente”, observou.
Procurado pela reportagem, o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Saúde, Euze Carvalho, considerou compreensiva a crítica feita população. Porém, ponderou que a cidade viveu dias conturbados com greves de médicos (na Capital e em Várzea Grande), dos dentistas e com a própria reforma do pronto-socorro e de policlínicas. Apesar disso, inclusive, das dificuldades financeiras, ele alegou que o município vem trabalhando para melhorar o atendimento aos cuiabanos.
OUTROS ÍNDICES – Em segundo lugar no ranking dos piores serviços entre as perguntas livres ficou segurança, com 18,8%, seguida de perto pela infraestrutura geral (18,6%) e saneamento básico com 18%. “São áreas fragilizadas e que demandam uma atenção maior”, observou Miriam. O índice de satisfação chegou ao pior patamar dos últimos dez anos, conforme a Vetor.
Em destaque está o percentual de avaliação negativa para pavimentação urbana. A pesquisa mostra que 72,1% dos entrevistados estão insatisfeitos com a prestação do serviço contra apenas 10,3% que sinalizaram como positiva. Além disso, o grau de melhoria da pavimentação urbana apresentou queda de 7,1 pontos percentuais em relação à medição feita em 2009.
Os entrevistados também criticaram o trânsito. Os dados mostram que 76,6% consideraram o setor ruim e apenas 4,4% atestaram alguma melhoria, quando o indicador foi sugerido pelos pesquisadores. Porém, o item não é sequer lembrado pela maioria dos entrevistados quando não é mencionado. “O trânsito é bastante ruim. Nos horários de pico a gente não consegue passar dos 20 quilômetros por hora. Faltam melhorias e investimento, mas um pouco é por falta de conscientização do próprio motorista”, opinou um motorista.